Mercado cauteloso com Copom, EUA e pesquisas

O mercado inicia a semana cauteloso, com indicações de alta no dólar e queda da bolsa, o que pode afetar negativamente as apostas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa amanhã e termina na hora do almoço de quarta com a divulgação da taxa de juros referencial da economia, a Selic. Dois fatores principais emprestam cautela aos investidores nesta manhã. De um lado, a expectativa com a pesquisa eleitoral que o Ibope está concluindo hoje e que deve ser divulgada amanhã. Embora a queda de Lula tenha sido bem recebida na pesquisa anterior, o mercado está com um pé atrás, receoso de que o candidato Ciro Gomes tenha um novo crescimento e que Serra se enfraqueça. Outro fator de risco, para alguns analistas até mais grave do que o eleitoral neste momento, é a instabilidade do mercado americano, acentuada pelas fraudes contábeis. A disparada do euro, atingindo a paridade com o dólar nesta manhã, chamou atenção para o enfraquecimento relativo da economia americana. Denúncia publicada por um jornal contra o presidente George Bush, que teria recebido informação privilegiada em 1990 antes de vender ações, também contribui para o ambiente defensivo. O mercado teme novas ondas de volatilidade nesta semana em Wall Street, quando várias empresas divulgam balanços. Diante deste cenário, operadores acreditam que a tendência é que o mercado monetário faça uma revisão de parte das apostas de sexta-feira, quando alguns investidores passaram a embutir a possibilidade de queda da Selic em seus negócios. Com o dólar pressionado, as chances de um relaxamento monetário devem diminuir. "O dólar estava em R$ 2,71 no Copom anterior e o BC já achou que não dava para cortar a Selic, não tem porque fazer diferente agora com câmbio acima de R$ 2,80", comentou um operador. Às 10h12, o dólar comercial para venda estava sendo cotado a R$ 2,8440, com alta de 1,17% em relação ao fechamento de sexta-feira. No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), pagavam taxas de 23,000% ao ano, frente a 22,350% ao ano negociados ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrava queda de 0,63%.

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