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Mercado confia na valorização do real, mas até onde ela vai?

A "disposição" do dólar em romperpisos neste ano deixou o mercado com um pé atrás para cravaraté onde vai a valorização do real. Uma aposta, no entanto, égeneralizada: a moeda norte-americana cairá ainda mais. "Este ano acho que fecha em torno de 1,75, 1,70 (real pordólar). Mas pode aprofundar a queda até a metade de 2008, se ocenário atual for preservado até lá", acredita Alex Agostini,economista-chefe da consultoria Austin Rating. Nesta semana, o dólar chegou a fechar abaixo de 1,80 real--no menor nível em sete anos. O patamar é bem inferior àsprojeções feitas há menos de um ano. Na abertura de 2007, por exemplo, a pesquisa semanal doBanco Central junto ao mercado apontava dólar a 2,25 reais emdezembro. Por trás da queda de cerca de 16 por cento do dólar esteano está a entrada líquida recorde de 71,3 bilhões de dólaresno Brasil até o começo de outubro. Em todo o ano passado, ofluxo cambial positivo não ultrapassou 38 bilhões de dólares. A chuva de dinheiro rareou apenas no início do segundosemestre, com a crise global de crédito. "Hoje há forças que tendem a manter esse movimento (daqueda) do dólar. Tem a alta dos preços das commodities, queajuda na balança comercial, e o próprio comportamento dosmercados operando o diferencial de juro", disse AntonioMadeira, economista-chefe da MCM Consultores. O diferencial entre o juro no Brasil e no exterior tende aaumentar até o final do ano com a pausa no ciclo de cortes daSelic. Segundo analistas, essa notícia foi a responsável pelaquebra do patamar de 1,80 real na última quinta-feira. Além disso, a perspectiva de mais uma redução do juro nosEstados Unidos no final de outubro favorece a aposta na quedado dólar em todo o mundo, já que o menor rendimento torna osativos norte-americanos menos atrativos. "RENDIMENTO COM SEGURANÇA" O próprio diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional(FMI), Rodrigo de Rato, declarou nesta semana que o dólar podecair ainda mais, apesar dos recordes registrados ante o euro. "Só isso já é um fator importante para a valorização doreal. A gente fica como espectador desse cenário", comentouLeonardo Miceli, economista da Tendências Consultoria. A iminência do grau de investimento também interfere afavor da queda do dólar. Para Agostini, da Austin Rating, omercado já antecipa a promoção do país, que deve vir entre ofinal de 2007 e o próximo ano. "Hoje você não tem outros mercados que paguem o que oBrasil paga de retorno com a segurança que o Brasil dá". Se a queda parece inevitável, então o dólar a 1,50 real jápode ser visto no horizonte? Ninguém arrisca. Com todas as projeções para o ano frustradas até agora, osanalistas preferem manter a cautela e apontam fatores que podemequilibrar o câmbio. "O que impõe limite é o risco-país, e ele tem se mantidoestável após a crise de crédito imobiliário", acrescentouMiceli. Na sexta-feira, o risco medido pelo JP Morgan estava emtorno de 175 pontos-básicos, após ter atingido a mínimahistórica de 135 pontos em maio. Alex Agostini cita outro fator. "Sazonalmente, no final deano as empresas enviam remessas de lucros para o exterior porconta do (fim do) ano fiscal. Mas não é nada que vai reverter,ou que faça voltar para 1,90 (real)", ponderou. Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, lembratambém que os leilões de compra do BC atuam como um freio. "Aação do BC, embora não consiga dar suficiente suporte ao preço,tem o potencial de retardar, tornar mais lenta, a apreciação doreal", avaliou em relatório. O mercado também evita dar números para a queda do dólarpor conta de um possível agravamento da crise no exterior."Esse é um chute que eu não quero fazer. Tenho certeza de quevai cair, mas o quanto e com que velocidade... não sei", disseMario Battistel, gerente da Fair Corretora.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

19 de outubro de 2007 | 15h20

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