Nacho Doce/Reuters
Nacho Doce/Reuters

Ações da Embraer caem mais de 5% com suposta oferta feita pela Boeing

Fabricante americana estaria disposta a pagar US$ 28 por ação da empresa brasileira negociada nos Estados Unidos, segundo ‘Wall Street Journal’; notícia desagradou o mercado no País e fez o papel fechar na mínima do dia na B3, cotado a R$ 20,65

Márcio Rodrigues e Renato Carvalho, Broadcast

05 de janeiro de 2018 | 17h25

Após passar boa parte do pregão desta sexta-feira, 5, acompanhando o desempenho do Ibovespa, que registrou recorde de valorização, as ações da Embraer inverteram o sentido e fecharam em queda de 5,28%, na mínima do dia.

A mudança no humor dos investidores foi causada pela notícia, publicada pelo jornal Wall Street Journal, de que a americana Boeing estaria disposta a pagar US$ 28 por American Depositary Receipt (ADR) para adquirir participação na companhia brasileira. Os operadores consideraram o valor baixo. 

++ Temer diz que transferência de controle da Embraer não foi cogitada

Os ADRs são recibos de ações de empresas de fora dos Estados Unidos negociados na Bolsa de Nova York. Cada um deles é composto por quatro ações ordinárias (sem direito a voto) da fabricante de aviões.

Segundo um operador do mercado brasileiro ouvido pelo Estadão/Broadcast, o valor de US$ 28 por ADR não inclui prêmio estratégico para a aquisição. Na última semana de dezembro, quando a negociação foi revelada, o BTG Pactual considerava que o prêmio oferecido pela Boeing poderia chegar a 50%, em um negócio que tinha potencial para atingir cerca de US$ 15 bilhões. 

++ Fatia do governo e regras em estatuto podem ser barreiras para venda da Embraer

Segundo o jornal americano, além de acordar sobre os termos do preço, a Boeing está em tratativas com a Embraer e com as autoridades do Brasil para tentar reverter as preocupações do governo do País sobre o negócio.

As resistências se concentram principalmente sobre a área de defesa da Embraer (responsável pelas aeronaves do Exército brasileiro) e, por isso, informaram as fontes, a Boeing estaria disposta a tomar medidas para proteger marca, gestão e empregos da Embraer, além de sigilos de informação.

O governo brasileiro detém uma ação especial (chamada de golden share) da Embraer desde a privatização da companhia, em 1994. Essa ação lhe dá direito de veto em decisões importantes, como a criação de programas militares e a transferência do controle acionário.

Por meio desse mecanismo, as autoridades do País têm poder de veto sobre qualquer operação que transfira o controle da Embraer.

Nove meses. Ainda é incerto se as companhias e o governo brasileiro encontrarão um acordo mutuamente aceitável - o presidente Michel Temer já afirmou que não abrirá mão do controle -, mas, se o negócio for fechado, provavelmente demoraria entre nove meses e um ano para ser concluído, disse uma das fontes ao jornal americano. 

Para a Boeing, a compra aumentaria sua exposição ao mercado de jatos de negócios, que tem sido pressionado por uma desaceleração nas vendas desde a crise financeira. Do lado da brasileira, uma das vantagens seria a possibilidade de ter todos os seus modelos de aeronave comercializados pela empresa americana, que tem uma força de vendas maior.

Hoje, as duas empresas têm uma parceria para a venda do KC-390, aeronave de transporte militar desenvolvida pela Embraer. As fabricantes não concorrem diretamente, pois a brasileira tem tradição no mercado de jatos menores, com até 150 lugares, e a americana trabalha com aeronaves com mais de 160 assentos.

Procuradas, as empresas informaram que não comentam as negociações. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Mais conteúdo sobre:
EmbraerBoeing

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.