Mercado consolida aposta em juro de um dígito

Previsão é de que a taxa Selic seguirá com cortes de 0,5 ponto nas reuniões de janeiro, março e abril do próximo ano e deve terminar 2012 em 9,5%

FERNANDO NAKAGAWA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2011 | 03h04

O mercado consolidou a aposta de que o juro básico da economia deve cair para um dígito após ouvir explicações do Banco Central na semana passada. Pelas contas dos economistas, a Selic seguirá com cortes "moderados" de 0,5 ponto porcentual a cada reunião programada para janeiro, março e abril. Assim, a previsão é de a taxa terminar 2012 em 9,5%. Até a semana passada, prevalecia a aposta de 9,75%.

O novo índice foi consolidado após a divulgação da ata da reunião de novembro do Comitê de Política Monetária (Copom). No documento, os diretores do BC disseram que o ritmo dos cortes do juro desde agosto - de 0,5 ponto - é adequado para o Brasil diante do conturbado cenário global e da crise que já afeta o ritmo da atividade interna. Há um mês, o mercado previa juros de 10% no fim de 2012.

Diante da estratégia da equipe econômica de usar o crédito como uma das alavancas da economia, um grupo prevê cortes ainda mais agressivos do juro. Para os cinco analistas que mais acertam as projeções na pesquisa Focus, a previsão para a Selic no fim de 2012 caiu de 9,5% para 9%. Com isso, ficaria nos próximos meses perto do mínimo histórico de 8,75% - taxa entre o fim de 2009 e início de 2010. A queda mais forte dos juros é possível porque o mercado prevê inflação mais comportada. A pesquisa mostra que a expectativa para 2012 do IPCA, índice oficial do governo, caiu pela segunda semana seguida, de 5,49% para 5,42%. Para este ano, segue a expectativa de que os preços devem subir 6,5%, no limite máximo aceito pelo regime de metas de inflação.

Com a inflação mais fraca em 2012, o BC teria espaço para tentar atenuar o efeito da crise. O objetivo é reverter a piora persistente das previsões de expansão da atividade econômica.

Para o mercado, o Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas do País, deverá crescer 2,97% em 2011, abaixo da previsão de uma semana atrás, de 3,09%. É a primeira vez que o mercado espera expansão menor que 3% em 2011.

Para o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Vasconcelos, o PIB deve crescer em torno de 3%. "Uma taxa de crescimento em torno de 3% e 3,5% é bastante importante e precisa ser comemorada", disse ele em evento ontem em São Paulo. / COLABOROU RICARDO LEOPOLDO

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