Mercado continua reagindo mal às mudanças na Argentina

A Bolsa de Buenos Aires abriu em queda de 2,1%, como reflexo ainda da saída de Roberto Lavagna do ministério de Economia. O movimento da bolsa portenha prolonga o comportamento negativo registrado ontem, após o anúncio de substituição de Lavagna por Felisa Miceli, quando caiu 4,5%. Logo no início das operações, o índice Merval registrava 1.523,5 pontos. Durante o mês de novembro, a Bolsa caiu 5,3%, mas no acumulado durante o ano marca uma melhora de 10,8%. Felisa Miceli passará a ser na quinta-feira a primeira mulher a assumir o Ministério da Economia da Argentina, uma inesperada notícia que gerou diferentes reações entre economistas, empresários e investidores. Embora uns vejam a nova ministra com receio por ser uma figura "discreta" e outros, que a conhecem, digam que é uma profissional preparada para o cargo, todos concordam que com sua chegada não haverá mudanças no rumo econômico do Governo do presidente Néstor Kirchner. Felisa Miceli passará a ser na quinta-feira a primeira mulher a assumir o Ministério da Economia da Argentina O economista Aldo Ferrer prevê uma "transição ordenada" entre a saída do gabinete do até agora ministro, Roberto Lavagna, e a chegada de Miceli, que tem uma "forte inclinação social" e "continuará com as políticas em curso". Para o ex-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Claudio Loser, a renúncia de Lavagna é "uma perda séria para a Argentina quanto à credibilidade em nível internacional" e "pode afetar negativamente a curto prazo", mas disse que "nada virá abaixo". Segundo o economista Orlando Ferreres, Miceli, de 52 anos, até agora presidente do estatal Banco Nación, "tem uma trajetória técnica bastante boa" e "está muito alinhada com o modelo competitivo produtivo, com uma taxa de câmbio real alto, superávit fiscal e uma acomodação de preços relativos que produzirá uma certa inflação em 2006". O economista José Luis Espert analisou as mudanças na pasta de Economia como um "aprofundamento da tendência à esquerda" do Governo Kirchner, que, "agora sem Lavagna, não tem como ser contida". Empresários divergem Entre os empresários, as opiniões também são divergentes. Para o presidente da Sociedade Rural, Luciano Miguens, a mudança de ministros é "um sinal inoportuno que pode afetar o mercado externo". O titular da Câmara de Comércio e Indústria, Miguel Schiaritti, também acredita que "a mudança de um ministro, neste momento, é muito arriscada, porque Lavagna demonstrou, após muitos anos, ser o homem adequado para alcançar as metas e conseguir as condições econômicas atuais". Mas, para Rubén Manusovich, líder da Federação de Câmaras Empresarias, que reúne pequenos empresários e comerciantes, com a ida de Lavagna chegou o fim dos "ministros estrelas que, na prática, são lobistas e fiéis defensores dos interesses das grandes empresas". O titular da União Industrial Argentina, Héctor Méndez, disse que a dupla que Kirchner e Miceli formarão não será tão "bem-sucedida" quanto a formada com Lavagna. O presidente da Confederação Geral Econômica, Marcelo Fernández, considerou que a escolha de Kirchner é "oportuna, porque é tomada em um momento crucial para definir o rumo econômico de seu Governo". Segundo o empresário, o desafio agora é "conter a inflação (...) para que o processo de ´reindustrialização´ se consolide e sejam atraídos os investimentos necessários para gerar trabalho e desenvolvimento".

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