Mercado: corte da Selic não era tão inesperado

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de ontem de reduzir a taxa Selic de 19% para 18,75%, sem viés, pode ter surpreendido os economistas, mas não pegou o mercado desprevenido. As taxas já embutiam, há alguns dias, a possibilidade de haver uma redução da Selic. Ontem, no fim da tarde, essa hipótese tornou-se mais forte e provocou uma queda intensa dos DIs futuros. Nas mesas de operação, começou a circular um boato - que mais tarde transformou-se em fato - de que o Copom abandonaria a cautela e reduziria o juro.A decisão do Copom foi entendida pelo mercado como uma sinalização do rumo da taxa de juros. Ou seja, a mensagem que o mercado entendeu foi a de que a taxa continuará em queda nos próximos meses. "Foi uma alternativa ao viés de baixa", acredita um operador. Por isso, as taxas projetadas no mercado de futuros seguirão em baixa hoje, já que a perspectiva de corte nos próximos meses ficou ainda mais forte. Nas mesas de operação, o fato de o Copom ter agido de maneira diferente do que acreditavam os analistas não chega a gerar grande preocupação. "O corte de ontem não produzirá qualquer efeito sobre a economia real; assim, dizer que o BC não cumprirá a meta por causa dessa decisão pode ser um exagero", diz um profissional. Para ele, se a meta não for cumprida com juro a 18,75%, ela também não seria com a Selic em 19%. "Acho que chegou a hora de o Banco Central tomar uma atitude em relação ao juro, que é elevadíssimo e gera um prejuízo enorme ao País", diz um operador. "Com essa decisão, o Copom assinou a confirmação de que o Brasil não corre o risco de contágio das crises vividas por países latino-americanos", acrescenta. Ontem, quando o mercado comentava a possibilidade de haver o corte da Selic, as razões apontadas como justificativa para a decisão eram a perspectiva de redução do núcleo de inflação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA); possível upgrade da dívida soberana brasileira; e tranquilidade do mercado cambial diante da liberação do peso na Argentina. Mas muitos acrescentam na lista das razões algo que não constará na ata: o cenário político. "Sempre há alguma influência", resume um operador. NúmerosHá pouco, o dólar comercial é cotado a R$ 2,4260 na ponta de venda dos negócios, em alta de 0,25% em relação aos últimos negócios de ontem. Os contratos de swap (troca) de títulos prefixados por pós-fixados com período de um ano pagam juros de 18,82% ao ano, frente a 18,90% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com alta de 1,33%.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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