Mercado de autopeças cresce pouco

A expectativa de crescimento de 25% na produção da indústria automobilística este ano não deve ser acompanhada pelos fabricantes de autopeças, que prevêem aumento de 10% no faturamento em 2000. A principal razão para a diferença entre os desempenhos dos dois setores é atribuída ao mercado de reposição, que cresce em ritmo mais lento.De janeiro a agosto, o faturamento dos fabricantes de autopeças aumentou 9,3% em relação ao mesmo período de 1999, e o consumo de energia cresceu 14%. Com isso, a capacidade ociosa do setor, que era de 35% em média no ano passado, deverá cair para 25% este ano.A previsão do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) é de que a indústria de autopeças movimente US$ 11,4 bilhões este ano, um aumento de 10% na comparação com 1999, quando o faturamento foi de US$ 10,4 bilhões. Apesar da expectativa, o resultado ainda será inferior ao de 1998, ano em que os fabricantes de autopeças alcançaram faturamento de US$ 14,8 bilhões.ReposiçãoO aumento do faturamento é motivado em grande parte pelos resultados obtidos pelas montadoras este ano. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta produção entre 1,6 milhão e 1,7 milhão de veículos em 2000, número cerca de 25% maior que o de 1999. As vendas de peças para montadoras respondem por 57% do faturamento do setor. O restante é destinado às exportações e ao mercado de reposição, que deve crescer menos de 5% este ano, de acordo com expectativas de fornecedores."O mercado de reposição não cresce no mesmo ritmo observado nas vendas para as montadoras", disse o presidente da Sogefi no Brasil, Mário Milani. Ele ressaltou que o aumento da frota de novos veículos está ocorrendo paralelamente à introdução de autopeças mais duráveis no mercado, que implicam menor necessidade de reposições. "Além disso, os carros novos ficam clientes cativos das concessionárias e, conseqüentemente, das montadoras, por pelo menos dois anos", observou.Balança comercialA meta de superávit traçada pelo setor de autopeças para este ano foi revista para baixo, caindo pela metade. O Sindipeças, que projetava um resultado positivo de US$ 400 milhões na balança comercial, prevê agora um superávit de US$ 200 milhões, apesar do crescimento de 16% esperado para as exportações, que devem passar de US$ 3,6 bilhões para US$ 4,2 bilhões em 2000. Em 1999, o déficit foi de US$ 85 milhões.O aumento das importações de componentes para novos veículos fabricados no País vai anular parcialmente o bom desempenho das vendas externas. O total importado pelo setor deve crescer de US$ 3,6 bilhões para US$ 4,2 bilhões em 2000. A principal razão para o aumento é o lançamento de novos modelos no mercado, que contam com índice de nacionalização baixo.

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