Mercado de aviação doméstica deve dobrar até 2016, diz Gol

Estimativa da empresa é baseada na entrada de clientes da nova classe média; atualmente, cerca de 40% dos passageiros da Gol são dessa faixa de renda

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

28 de abril de 2010 | 14h39

O mercado doméstico de aviação brasileiro deve dobrar de tamanho até 2016, impulsionado pela crescente entrada de usuários da nova classe média brasileira. A avaliação é do diretor de Yield e Alianças da Gol, Marcelo Bento Ribeiro. Mas o otimismo com o futuro dos negócios não impediu o executivo de fazer um alerta: o País ainda conta com sérios problemas de infra-estrutura aeroportuária, que podem derrubar o ritmo de crescimento no setor aéreo.

 

Durante participação no Airline Distribution 2010, evento de aviação que ocorre nesta quarta-feira, 28, no Rio de Janeiro, executivo comentou que, atualmente, a classe média é parte expressiva do público da Gol. Cálculos da empresa atestam que, hoje, esta faixa de renda representa aproximadamente entre 35% e 40% do total de passageiros transportados pela companhia. "A questão é que, atualmente, contamos com uma nova classe média, um contingente enorme de pessoas entrando no mercado de consumo. Nosso desafio é fazer estas pessoas entenderem que viagem de avião é acessível", afirmou.

 

Também presente no evento, o diretor comercial da empresa, Eduardo Bernardes Neto, observou que atualmente o mercado do País conta com aproximadamente 15 milhões de usuários do transporte aéreo. "A classe média é em torno de 100 milhões de brasileiros, mas deste total, estimamos que 30 milhões têm poder de consumo imediato para o transporte aéreo.Vamos focar nos 15 milhões que já usam o transporte aéreo, e mais neste mercado potencial de 30 milhões de pessoas", explicou Neto.

 

Neto reiterou as estimativas da empresa de um crescimento entre 12% e 18% na demanda de passageiros no mercado doméstico este ano. "Este crescimento está muito relacionado ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2010, o PIB está estimado em crescer entre 5% e 6%, e o mercado cresce em torno de três vezes do PIB", acrescentou Neto.

 

Porém, o atual estado dos aeroportos brasileiros pode ser considerado um dos obstáculos que poderiam prejudicar as projeções de crescimento do setor. Isso tem sido acompanhado de perto pela Gol, de acordo com Bento Ribeiro. "Nós precisamos de melhores e maiores aeroportos. Hoje muitos aeroportos do País têm limitações nas quantidades de passageiros que eles podem comportar", disse.

 

Ele admitiu que, atualmente, o governo brasileiro conta com planos definidos de expansão e de melhoria no setor de infra-estruturano País. "A questão é quando que se conseguirá colocar estes investimentos em prática, principalmente por causa dos megaeventos que o Brasil vai receber nos próximos anos, como Copa do Mundo e Olimpíadas", concluiu.

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