Mercado de câmbio vive clima de indefinição no Brasil

Empresas e investidores reduzem ritmo dos negócios e fluxo de dólares para o País não se mantém constante

FERNANDO NAKAGAWA / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2012 | 03h01

As incertezas externas têm colocado parte do mercado de câmbio em clima de espera no Brasil. Com sinais pouco consistentes e, às vezes, até divergentes sobre Europa, Estados Unidos e China, empresas e investidores optam por reduzir o ritmo nos negócios. Com volumes menores, o fluxo de dólares ao Brasil não segue tendência firme. Ontem, a moeda voltou a subir e fechou a R$ 2,035, com alta de 0,25%.

A falta de clareza sobre os rumos da economia global tem feito o mercado de moedas operar sem um norte. Após a entrada de US$ 843 milhões nos oito primeiros dias do mês, a tendência mudou: os números do Banco Central voltaram ao campo negativo e US$ 327 milhões deixaram o Brasil na semana passada, entre 11 e 15 de junho. A troca de sinais não surpreende analistas.

"Não há rumo no cenário exterior. Cada instituição fala em um sentido e o investidor fica perdido", diz a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares. Segundo ela, a cautela gera menor volume de negócios e cuidado redobrado. A maior preocupação, diz Miriam, é ficar exposto às variações cambiais.

Comércio. Ao contrário do visto nos últimos 15 meses, o setor de comércio exterior amarga fluxo cambial negativo, mostram os dados do BC. Isso quer dizer que as transferências para pagar importações superaram o montante de dólares que ingressou no Brasil pela mão dos exportadores. Na semana passada, US$ 435 milhões deixaram o País para pagar importados.

Mesmo com o dólar a R$ 2 - positivo para quem vende em dólar -, exportadores têm sido cautelosos. "O resultado da balança comercial tem frustrado as expectativas em boa parte pela queda de preços importantes para o Brasil, como o minério de ferro, açúcar e café", diz o economista da Rosenberg & Associados, Rafael Bistafa. "Além disso, muitos trouxeram volume grande de recursos quando o dólar bateu em R$ 2. Agora, a necessidade de mais recursos parece menor e empresas preferem esperar e deixam o dinheiro no exterior."

Surpreendentemente, o fluxo de dólares com os investidores continua positivo. Na semana passada, US$ 108 milhões entraram no País em transações como compra de ações e títulos de renda fixa, empréstimos e investimento produtivo. Em junho, a conta já chega a US$ 1,12 bilhão.

Os números positivos, porém, não animam o mercado, que segue cauteloso à espera de uma solução externa. No mês passado, US$ 6,3 bilhões deixaram o Brasil nessas operações, maior volume desde novembro de 2008 ainda na crise passada.

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