Mercado de capitais discute CPMF

A idéia do presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, de criar um mecanismo provisório para a redução do impacto da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) nas operações em bolsas de valores foi recebida com certa descrença por empresários ligados ao mercado de capitais. O presidente da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Alfredo Rizkallah, comentou que o imposto esvaziou o mercado de capitais brasileiro e estimulou a negociação de papéis em outros mercados, principalmente no norte-americano. Porém, ele ressalta que governo sinaliza sensibilidade em relação ao tema, mas o assunto encontra resistência devido à necessidade de arrecadação do governo.Já o presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) diz que tudo o que for feito para evitar a redução da liquidez e migração dos negócios para outras bolsas será aplaudido e se mostra conformado com a redução do imposto de forma gradual. "Já que não dá para reduzir de vez o imposto, pelo menos a medida sinalizaria a intenção do governo em não esticar a sua vigência." O executivo destaca, no entanto, que só a demonstração da intenção não basta. "É preciso deixar claro quando a alíquota cai e quanto cai e tudo vai depender do ritmo". Todos devem ser beneficiadosMas não são apenas as bolsas de valores que podem sair ganhando com a redução gradual da alíquota. Para o ex-diretor do BC e professor do Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais (Ibmec), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, "qualquer imposto sobre a intermediação financeira dificulta a redução do custo do dinheiro e, consequentemente, da taxa de juros cobrada do consumidor". Segundo ele, "outros segmentos podem exigir igualdade, mas é importante deixar claro que uma redução do custo de intermediação financeira no mercado de capitais, traz benefícios para todos".

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