Mercado de carros novos reage no meio do mês

Na primeira quinzena as vendas caíram 10%, mas há expectativa de que superem a marca de 330 mil veículos, incluindo caminhões e ônibus

CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2012 | 02h06

Depois de cair 10% na primeira quinzena, o mercado de carros novos reagiu na segunda metade do mês e este deve ser o melhor outubro da história em vendas. Mesmo sem a esperada corrida às lojas pelo fato de a presidente Dilma Rousseff ter antecipado, há uma semana, o anúncio da prorrogação do corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), previsto para acabar hoje, as vendas vão superar 330 mil veículos, incluindo caminhões e ônibus.

Até segunda-feira, segundo dados do mercado, foram licenciadas 299,7 mil unidades, das quais 286,8 mil são automóveis e comerciais leves, segmento beneficiado pela redução do imposto, agora válido até o fim do ano.

Na comparação com setembro - que havia registrado queda significativa em relação ao resultado recorde de agosto - os dados preliminares mostram alta de 4% nas vendas totais, com uma recuperação no mercado de caminhões, e de 3,2% em automóveis e comerciais leves.

No acumulado do ano, os licenciamentos estão quase 4% acima do registrado em igual período de 2011, com 3,089 milhões de unidades. Em automóveis e comerciais, a soma chega a 2,95 milhões de unidades, alta de 5,27%.

Com três dias úteis a mais que setembro, a indústria já esperava resultados melhores para outubro. Mas a média diária de vendas, que baliza o comportamento do mercado, mostra, até segunda-feira, pequena desaceleração, com 14.987 unidades, ante 15.165 no mês anterior.

Corrida em dezembro. O economista da LCA Consultores, Rodrigo Nishida, lembra que essa média está próxima às de junho, julho e agosto, os três primeiros meses da queda do IPI. No primeiro semestre, as vendas diárias estavam bem mais fracas, em torno de 12,3 mil unidades, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Nishida prevê outro enfraquecimento na média diária de vendas em novembro, mas uma nova corrida às lojas em dezembro, quando termina o incentivo do IPI. "Além disso, dezembro tem o 13.º salário e tradicionalmente é um mês forte em vendas".

O IPI de 7% para modelos com motor 1.0 foi zerado e caiu à metade para aqueles com motor até 2.0, que recolhem entre 11% e 13%. O governo já prorrogou o benefício duas vezes por temer uma desaceleração forte no mercado e um impacto nos índices de inflação.

Na opinião do economista da LCA, outubro não foi melhor porque algumas montadoras não conseguiram suprir a demanda. Alguns modelos estão em falta e há filas de espera, caso por exemplo do recém-lançado Hyundai HB20, com entregas previstas apenas para janeiro, e do Nissan March, importado do México.

A LCA projeta para o ano crescimento de 7% nas vendas de automóveis e comerciais leves em relação às 3,42 milhões de unidades comercializadas em 2011. A Anfavea espera alta de 6%.

Para o setor como um todo, incluindo os veículos pesados, a expectativa das fabricantes é de crescimento de 4,5% a 5%, para algo em torno de 3,8 milhões de veículos, volume anual recorde.

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