Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Mercado de chocolate premium cresce dois dígitos por ano no Brasil

Setor destaca potencial de crescimento do segmento premium no País, uma vez que o chocolate comum tem avanço anual médio de 1% a 2%

Camila Turtelli e Leticia Pakulski, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2016 | 14h34

SÃO PAULO - O mercado de chocolate e cacau premium está se consolidando no Brasil e cresce na base de dois dígitos por ano, afirmou a diretora executiva da Agrícola Conduro - empresa focada no cultivo e beneficiamento de cacau no sul da Bahia -, Patrícia Morales. A executiva participou do evento "Fóruns Estadão - A importância do cacau para a economia brasileira". 

Ela ressaltou, ainda, que há grande potencial de crescimento para o mercado premium no País, já que atualmente participa com apenas 5% do total. Enquanto o segmento premium cresce na base de dois dígitos por ano, o de commodity tem avanço anual médio de 1% a 2%.

"O Brasil tem nas mãos elementos para dominar o mercado (premium), pois reúne produção, moageiras, indústrias e consumo. Isso não existe em nenhum outro lugar do mundo", disse Patrícia. Ela afirmou ainda que, nos últimos anos, estão sendo promovidas mudanças na cadeia do cacau e do chocolate no sul da Bahia, com visão mais de longo prazo. "Pautamos e saímos atrás de tendências de mercado", disse. Um desses avanços é a instalação do Parque Científico e Tecnológico do sul da Bahia, que reúne o Centro de Inovação do Cacau. 

Segundo a pesquisadora Priscilla Efraim, da Universidade de Campinas (Unicamp), o Brasil tem condições de impulsionar a produção de chocolate premium. "Temos no Brasil um parque tecnológico fantástico", disse ela.

Segundo ela, para avançar na produção de maior valor agregado, é necessário melhorar o pré-processamento do cacau e também estimular o interesse do mercado para que as indústrias possam utilizar esse parque instalado no País. Ela ressaltou, ainda, que há três principais fatores que afetam a produção de chocolate: cacau, processamento e a formulação em si.

"Chocolate é sim alimento que pode trazer benefícios muito significativos para a saúde, dependendo de como é formulado e fabricado", disse ela, ressaltando que o produto é um alimento consumido por pessoas de todas as idades e sexos.

A pesquisadora destacou que as técnicas de clonagem permitem ter uma diferenciação de chocolates vasta e que há um grande potencial ainda a ser explorado pelo mercado. "A origem no Brasil é extremamente diferenciada. Apesar de a Bahia e o Pará serem os maiores, há outros Estados com regiões climáticas distintas e diferenciação de sabor".

Priscilla observou outra vantagem brasileira na produção. "Além do cacau, o chocolate depende de açúcar e derivados leite", disse, citando esses produtos de ampla produção no País.

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