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Mercado de crédito ainda ignora a inflação cadente

Mesmo empresas de porte não geram caixa o bastante para pagar os juros, segundo estudos do Centro de Estudos do Mercado de Capitais (Cemec-Ibmec)

O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2016 | 03h07

A alta do IPCA de apenas 0,08% e do IGP-M de 0,20% em setembro, índices de preços que afetam diretamente o consumo e a produção e servem de base para corrigir o valor de aluguéis e outros serviços, não alterou o comportamento das taxas de juros praticadas no mercado de crédito livre. Estas cresceram sem interrupção nos últimos 24 meses, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças e Administração (Anefac), com consequências danosas para a economia e riscos maiores de inadimplência.

Entre setembro de 2015 e setembro de 2016, enquanto a taxa Selic permanecia ao redor de 1,1% ao mês, a taxa média de juros cobrada das pessoas físicas subiu mais de um ponto porcentual, de 7,23% para 8,24% ao mês, e a média anual passou de 131,1% para 158,61%.

No mesmo período de comparação, o juro médio para empresas passou de 4,12% ao mês (62,33% ao ano) para 4,81% ao mês (75,72% ao ano). Mesmo empresas de porte não geram caixa o bastante para pagar os juros, segundo estudos do Centro de Estudos do Mercado de Capitais (Cemec-Ibmec).

Ainda que não se levem em conta as linhas mais caras, como cheque especial (309,24% ao ano) ou cartão de crédito rotativo para pessoas físicas (463,03% ao ano), ou as contas garantidas das pessoas jurídicas (162,95% ao ano, recorde histórico), são altos os juros de operações mais corriqueiras como o CDC de autos (32,3% ao ano) ou o desconto de duplicatas(46,78% ao ano).

A questão central é a inadimplência, liderada pelo cartão de crédito utilizado por 72,6% dos devedores em setembro, alta de 1,3 ponto porcentual em relação a agosto, segundo pesquisa da FecomercioSP. O problema é que as famílias com queda de renda se veem compelidas a usar mais intensamente o crédito rotativo para adquirir alimentos e itens não financiáveis.

O argumento dos bancos para cobrar juro alto é o aumento da inadimplência, que não se deve apenas à recessão que afeta emprego e renda, mas à volúpia das taxas de juros.

Quando a inflação superava os 10% ao ano, o patamar de juros cumpriu o papel de refrear a demanda e conter os preços finais. Agora que são mais animadoras as tendências dos índices de preços, o mais difícil passa a ser a reativação da atividade, que será mais viável com custos financeiros menores. Cabe identificar as medidas que poderão ser tomadas para permitir uma normalização do mercado de crédito.

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