Mercado de crédito tem retomada em outubro

O volume de crédito destinado a consumidores e empresas deverá bater a casa de R$ 200 bilhões neste ano. Se essa cifra for atingida, a expectativa inicial de crescimento de 30% ante 2000, será confirmada, apesar da crise energética, da alta do dólar e dos desajustes na Argentina. Essas turbulências chegaram a afetar negativamente os prognósticos sobre o mercado de crédito de junho a setembro. Mas o ano para as instituições que emprestam dinheiro está sendo salvo pelo desempenho do primeiro e o último trimestre. A partir do mês passado, o cenário começou a virar e o crédito ao consumidor concedido pelas financeiras voltou a crescer em relação a setembro, indicando um último trimestre favorável. "O desempenho do crédito no último trimestre será tão bom ou melhor do que o registrado no mesmo período de 2000", prevê o diretor Comercial e de Marketing da Losango, promotora de crédito do Lloyds TSB, Leonel Andrade. Em outubro a empresa registrou o maior volume mensal emprestado do ano, com crescimento de 35% ante o mesmo mês do ano anterior. Em novembro, o ritmo de concessão de empréstimos de outubro vem se mantendo. Andrade aponta a demanda reprimida nos últimos meses como um fator que estaria impulsionando essa nova onda de financiamentos. "Além disso, estamos ganhando fatias de mercado." Ele ressalta também que o brasileiro não é um poupador. ReaçãoO Banco PanAmericano também detectou a reação no mercado. No mês passado, a instituição aprovou um volume 10% maior de empréstimos em relação a setembro. Para o último bimestre, a expectativa é superar em 15% os volumes financiados em outubro, segundo o diretor de Crédito e Cobrança, Adalberto Savioli, que projeta fechar o ano com crescimento de 10% a 15% na sua carteira de empréstimos de R$ 1,4 bilhão."Estamos otimistas", diz Savioli. Ele diz que os efeitos negativos das turbulências estão se dissipando e, com isso, aflora a tendência natural de retomada no ritmo dos empréstimos no fim do ano. No caso do PanAmericano, a retomada que ocorre a partir de outubro está sendo puxada pelos financiamentos para venda de veículos, seguidos pelos móveis, eletroeletrônicos e equipamentos de informática. O diretor-executivo da Credicerto, financeira do BMC, Norival Puglieri, diz que 2001 será bom para o crédito "apesar de tudo". Sua empresa repetiu em outubro os volumes de setembro e espera para este mês e o próximo um ligeiro crescimento no setor de veículos, que normalmente tem desempenho favorável nesse período, com o pagamento do 13.º salário. "Setembro foi o vale do ano", diz o diretor-geral da Servloj, Oswaldo de Freitas Queiróz. Ele conta que em setembro os volumes financiados reacuaram 15% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em outubro, a queda foi menor, de 8% na comparação anual. Na primeira semana deste mês, o recuo era de 5% ante igual período de 2000. "Depois do dia 20 vamos compensar as perdas de novembro", prevê o diretor, contando com a proximidade das festas de fim de ano. O diretor-geral da financeira Exprinter, Leonardo Benvenuto, diz que outubro foi bom para o crédito, ante setembro que foi desastroso. No mês passado, os volumes de financiamentos cresceram 25% na comparação com setembro, que havia caído 35% ante agosto. A perspectiva para este mês, segundo ele, é de recuperação, com tendência de ampliar em 5% os volumes em dezembro ante o mês anterior. No setor de veículos o mercado passou a reagir em outubro com o pagamento do 13.º salário, que encoraja o consumidor a dar uma entrada para financiar o carro novo, observa o diretor-executivo da Associação Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras (Anef), José Romélio Brasil Ribeiro. Ele pondera que a onda de promoções ajuda o deslanche dos negócios. "Houve um movimento em outubro", diz ele, que não tem os números fechados.

Agencia Estado,

19 de novembro de 2001 | 13h35

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