Mercado de imóveis arrefece além do previsto

A crise econômica reflete-se mais intensamente que o previsto sobre o mercado imobiliário paulistano, segundo a pesquisa mensal do sindicato da construção (Secovi). Em maio, as vendas de imóveis novos na capital caíram 3,1%, em relação a abril, e 36,5%, em relação a maio de 2013.

O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2014 | 02h03

A velocidade das vendas, medida pelo índice VSO (vendas sobre oferta), foi insatisfatória nos primeiros cinco meses do ano. Esse indicador costuma ser pior no primeiro semestre. Neste ano, o melhor mês foi abril (quando 9,8% dos imóveis lançados foram vendidos). Mas na comparação entre maio de 2013 e maio de 2014, o VSO declinou de 16% para 9,4%, abaixo da média mensal de 11,7% dos últimos 24 meses. Na prática, os interessados vão duas a três vezes aos plantões de venda antes de tomar uma decisão. Só janeiro de 2013 havia exibido um resultado pior que o deste ano.

Em maio, destacou-se o segmento de dois dormitórios, que respondeu por 71,9% das vendas. Somando esse segmento ao das unidades de três dormitórios, os dois representaram 94,3% das vendas totais na capital. O mesmo ocorreu na região metropolitana de São Paulo, onde o ritmo das vendas melhorou na comparação entre abril e maio. Houve alta de 15% nas vendas e de 23,2% nos lançamentos.

O recuo das vendas, na comparação entre os períodos de janeiro a maio de 2013 e de 2014, chegou a 41,4%, mais intenso do que a diminuição de lançamentos, de 14%. A previsão era de equilíbrio entre os dois indicadores. A diminuição das vendas acaba por se refletir na oferta, pois os lançamentos programados tendem a ser adiados, quando possível.

A desaceleração econômica que afeta renda, emprego e consumo não basta para explicar a perda de dinamismo do mercado de imóveis. Isso também se deve a fatores específicos, como o Plano Diretor de São Paulo. Votado em junho, o plano estimula a construção de unidades em eixos de transporte e com poucas vagas para veículos. A lei pretende, assim, alterar preferências dos mutuários. O impacto sobre o mercado é inevitável, na falta de transporte coletivo de boa qualidade e acessível à maioria da população.

Na melhor das hipóteses, haverá mais lançamentos neste semestre. Mas, se o ritmo de lançamentos continuar superando o das vendas, como ocorreu em outros meses deste ano, há o risco de se formarem estoques ou de os incorporadores precisarem de mais empréstimos para erguer os empreendimentos, o que significa custos mais elevados.

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