Mercado de IPO está seletivo, diz Credit Suisse

O mercado de ofertas públicas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) não está fechado, segundo Marcelo Kayath, corresponsável pelo Credit Suisse no Brasil. Para o executivo, o setor será "difícil" e "seletivo" em 2012. "Vários IPOs não vão sair porque o mercado estará extremamente seletivo", avalia.

ALINE BRONZATI , ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2011 | 03h05

No entanto, o executivo acredita que pode haver emissões já no primeiro trimestre do ano que vem, desde que sejam empresas de setores "defensivos" e com preços "convidativos". "Não devemos ter uma quebradeira como em 2008", acrescentou Luis Stuhlberger, responsável pela área de asset do banco.

Na opinião de José Olympio Pereira, presidente do Credit Suisse no Brasil, o número de IPOs em 2012 deve ficar próximo ao deste ano. Foram 11 ofertas, que somaram US$ 4,6 bilhões, segundo ele. "É o menor volume no mercado de IPOs desde 2008, mas é o mesmo número de ofertas de 2010", comparou. O volume de 2011, porém, foi inferior ao de 2010, quando os IPOs totalizaram US$ 6,4 bilhões.

Nas últimas semanas, algumas empresas que estão na fila para abrir capital começaram a se movimentar, solicitando registro junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De acordo com o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, há entre 40 e 45 empresas aguardando uma janela para ir à bolsa. A expectativa dele e de outros especialistas do mercado é de que boa parte dessas organizações busquem captações menores - uma oportunidade para o segmento de acesso da BM&FBovespa, o Bovespa Mais, decolar.

De acordo com José Olympio Pereira, com a crise na Europa, as multinacionais que operam no Brasil podem vir a captar recursos no País para se financiarem. "Hoje, uma empresa italiana capta mais barato aqui do que na Itália." Segundo o executivo, o mercado de bônus externo vai se abrir no ano que vem. Até empresas de maior risco devem conseguir captar, avalia.

O banco de investimentos Credit Suisse estima entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões o volume que os fundos de private equity têm em caixa para investir no Brasil. "Não vai faltar capital para financiar bons projetos", observa Pereira..

Entre os segmentos de destaque, segundo executivos do Credit, estão aqueles ligados ao setor de energia, por causa das oportunidades do pré-sal; consumo, estimulado pela economia local e a melhor distribuição de renda com a ascensão das classes de menor poder aquisitivo e infraestrutura, em meio às obras previstas para a Copa do Mundo, Olimpíada e Programa de Aceleração do Crescimento.

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