Mercado de juros corrige otimismo exagerado

O mercado de juros operou novamente de olhos atentos ao noticiário externo, corrigindo o que operadores chamam de otimismo exagerado verificado nos últimos dias. O mercado vinha operando bastante alavancado, embutindo prêmios muito baixos nos contratos futuros de juro. Isso por causa da informação na ata do Copom de que a Selic poderia cair a 14% até o fim do ano, da avaliação de que a inflação continua sob controle e da acomodação do petróleo. Mas a decisão do Fed de cortar novamente em 0,5 ponto percentual a taxa de juro norte-americana, tomada na quarta-feira, e os últimos dados sobre a economia dos Estados Unidos acenderam o sinal amarelo para o mercado de juros em relação à trajetória dos juros básicos internos. Assim, o DI a termo de um ano, que projetava na sexta-feira da semana passada 15,45%, subiu hoje a 15,70%. Há pouco, o contrato para outubro caía 29 pontos, projetando taxa de 15,44% de hoje até o final do período.A questão é que os efeitos de uma recessão nos Estados Unidos poderiam sobrepor-se ao cenário local favorável a um corte de taxa de juro. Além de representar uma queda nas encomendas de produtos brasileiros - ou seja, prejuízo para a balança comercial -, a continuidade da desaceleração econômica nos Estados Unidos poderia, pelo menos, refrear os investimentos de empresas norte-americanas no Brasil. E, neste momento, investimentos diretos são essenciais para financiar as contas externas do País - ainda mais quando a balança comercial não dá qualquer sinal de recuperação. O desempenho da economia norte-americana atingiria, portanto, o fluxo cambial e, consequentemente, inviabilizaria a continuidade do recuo da Selic.

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