Mercado de juros melhora de humor

O mercado de juros melhorou significativamente o humor nesta manhã, reagindo a algumas boas notícias que surgiram. Entre elas, a taxa negativa do IGP-M, que mostrou deflação de 0,05%, divulgado ontem (especulava-se na véspera que o índice viria alto), e a maior tranquilidade no cenário externo. Mas o fato que consolidou o movimento de queda dos DIs foi o significativo recuo do dólar, intensificado após as declarações do BC e do Tesouro Nacional sobre a compra de dólares junto ao mercado prevista para o ano.De acordo com os esclarecimentos, o Tesouro comprará este ano US$ 1,2 bi este ano, ou uma média diária de US$ 100 mi, e não até US$ 3 bi, como havia informado anteriormente. Segundo BC e o Tesouro, esse número pode até ser revisto para baixo, caso o volume de entradas de recursos externos alocados nas reservas seja superior ao previsto. O novo número diminui a expectativa de pressão sobre o dólar e levou profissionais a recolocar a cotação abaixo da casa dos R$ 2,00.A notícia causa alívio também nos juros. Afinal, dólar em alta significa queda do chamado cupom cambial, o que significa que, se houver interesse do País em segurar os investidores estrangeiros, não poderia haver corte de taxa de juros. Há tempos, o BC vem dizendo que essa teoria não se aplica ao País, que não depende de capital volátil para financiar suas contas. Mas, diante do quadro recessivo dos Estados Unidos, o mercado volta a atentar para essa questão.Assim, acompanhando do dólar em queda de 0,45%, o contrato para outubro chegou ao fim da manhã projetando 15,48%, ante 15,62%; o de julho, ficou em 15,21%, ante 15,34% de ontem. Já o contrato a termo para um ano projetava 15,83%, ante 15,96% de ontem. Há profissionais, no entanto, que acreditam que o noticiário do dia poderia ter provocado uma queda ainda mais intensa nas taxas. "O clima foi muito bom no câmbio e o fato de o contrato ter ficado no nível atual indica falta de apetite de compra", afirma um profissional. Para ele, o atual nível das taxas projetadas indica que o mercado ainda tem dúvidas sobre a possibilidade de o Copom decidir cortar a taxa básica no curto prazo.Para operadores, a melhora de hoje no clima não afasta definitivamente a necessidade de cautela. Os Estados Unidos ainda têm um futuro no mínimo incerto e com mais chances de oferecer más do que boas notícias. E, internamente, o fato de a produção industrial estar apresentando claros sinais de recuperação diminui a urgência da queda da taxa de juro - evidentemente, considerando apenas o lado da atividade econômica e deixando de lado a questão das contas públicas.Dessa forma, operadores entendem que o mercado ainda não tem tanta convicção de que o Copom manterá o ritmo da queda da taxa. "O mercado fica desconfortável de reduzir muito mais o prêmio embutido nos contratos porque ainda há incertezas no meio do caminho", define um operador. Hoje, o BC não atuou no mercado à vista.

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