Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Mercado de luxo aposta em retomada em 2014 e vendas além de SP

Após desaceleração do ano passado, chegada de marcas internacionais e inauguração de lojas são sinais de novo fôlego

Mariana Sallowicz, de O Estado de S. Paulo,

15 de fevereiro de 2014 | 18h27

RIO - Com a disparada do dólar e a inflação, o mercado de luxo brasileiro pisou no freio no ano passado. Especialistas, porém, aguardam uma retomada este ano, com a inauguração de lojas e a chegada de marcas internacionais. "O ano passado foi difícil, com a retração econômica. O mesmo cenário que o Brasil viveu foi refletido no segmento de luxo", afirma Carlos Ferreirinha, presidente da consultoria MCF, especializada no tema.

Gabriele Zuccarelli, sócio da consultoria Bain & Company, diz que o comportamento do câmbio "não ajudou" o desempenho do setor, mas pondera que esse tipo de consumidor "é menos sensível a preços". Apesar da desaceleração, o mercado de luxo no Brasil teve crescimento superior ao desempenho geral da economia em 2013, cenário que deve se repetir neste ano, dizem especialistas.

Consultorias estimam alta entre 10% e 12% no ano passado, enquanto o mercado espera aumento de 2,24% do Produto Interno Bruto (PIB) no mesmo período, segundo a última pesquisa Focus, do Banco Central. Em 2012, no entanto, a expansão foi de 16%, segundo a MCF. Para este ano, a estimativa da consultoria é de alta entre 16% e 18%.

A consultoria Bain & Company estima que o mercado de luxo no Brasil movimentou 3 bilhões em 2013, aumento de 11% ante 2012. Apesar do crescimento, o Brasil ainda representa apenas 1,4% do faturamento global no segmento de luxo.

Segundo Ferreirinha, o desempenho melhor do que o da economia em geral ocorre porque o luxo ainda está em expansão no Brasil, especialmente fora da capital paulista, principal destino das marcas. "Pela primeira vez, estamos entrando num ciclo de crescimento das operações de luxo fora de São Paulo, tanto as globais quanto as brasileiras." Entre os novos destinos, ele cita Curitiba, o interior de São Paulo e o Rio, que já tem um papel importante no setor, mas ganhou relevância, especialmente com a Copa.

A grife de relógios de luxo Hublot é um exemplo. A marca suíça inaugurou este mês uma butique no Fashion Mall, no Rio, a primeira da marca na América Latina. Pelé, garoto-propaganda, esteve presente. Antes, estava no País apenas por meio de multimarcas. A escolha da capital fluminense veio como uma estratégia de se mostrar presente numa das cidades "mais icônicas do mundo", segundo o CEO da Hublot, Ricardo Guadalupe.

"O Rio faz as pessoas sonharem, e quando você trabalha com luxo é preciso fazer as pessoas sonharem com o produto. Nós vendemos produtos irracionais", diz Guadalupe. O preço médio do relógio da marca é de US$ 20 mil. A Copa também foi um dos motivos. "Com o Mundial no País, queríamos ter uma boa presença no Brasil."

Zuccarelli, da Bain & Company, também vê a expansão estimulada pela maior oferta de marcas internacionais. Segundo ele, outro propulsor é o "esforço" das marcas de alinharem os preços do País com os internacionais, após a abertura de operações no Brasil. "Os preços que antigamente eram muito mais altos estão sendo reduzidos para estimular os brasileiros a comprarem aqui."

O CEO da Hublot afirma que a marca reduziu a margem de lucro dos seus produtos à venda na butique do Rio. Em comparação com os valores praticados nas lojas dos Estados Unidos, os preços são 30% mais caros, mas, segundo ele, deveriam custar 100% mais, devido à alta carga tributária. / M.S.

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