Jonathan Ernst/Reuters
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Mercado de luxo sobrevive às notícias sombrias

LVMH, Kering e outros grupos de artigos de luxo franceses estão prosperando, apresentando resultados ‘fantásticos’; os concorrentes menores, não

The Economist

19 de outubro de 2019 | 04h00

Os fornecedores de joias devem estar um pouco temerosos atualmente. As perspectivas econômicas da China são ambivalentes e as vendas no varejo nos Estados Unidos caíram inesperadamente em setembro, pela primeira vez em meses. Hong Kong, berço espiritual do luxo na Ásia, vem sendo sacudido por uma tempestade de balas de borracha. Os especialistas em prognósticos econômicos estão reduzindo suas previsões: no dia 15, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou para uma queda no crescimento do PIB - Produto Interno Bruto - ao seu mais baixo patamar desde a crise financeira.

Quem gastaria numa nova bolsa de luxo neste momento? Alguns consumidores parecem ignorar essas manchetes sombrias. Em 19 de outubro o LVMH, o maior grupo de artigos de luxo do mundo, anunciou resultados fantásticos. As vendas em suas lojas Dior, Louis Vuitton e inúmeras outras aumentaram 11% no ano (excluindo as aquisições), quase o dobro da taxa tendencial de crescimento, que é de 6% no setor de produtos pessoais de luxo, que abrange desde relógios a gravatas e sapatos finos. As rivais do LVMH, como Kering, proprietária da Gucci, e Hermès, devem anunciar também um aumento nas vendas. O preço das ações dessas companhias subiu aproximadamente em um terço no ano passado.

Outras marcas não tiveram tanta sorte. Um dia depois de a LVMH anunciar suas receitas, Hugo Boss, casa de moda alemã, emitiu um segundo alerta de lucros. Nos Estados Unidos, a Tiffany & Co. e Tapestry, que detêm as marcas Coach e Spade, passam por dificuldades. E também empresas italianas de médio porte como Prada e Tod’s. As ações dessas empresas menores hoje têm preço igual ao de acessórios da temporada passada, engolindo poeira em uma “loja de fábrica” em um subúrbio da cidade.

O setor de luxo sempre foi cíclico: mesmo aquelas pessoas com muito dinheiro tendem a gastar mais quando os tempos são bons. Os índices de crescimento no geral vêm caindo desde 2018, quando as vendas aumentaram em mais de 10%. Mas o impacto não é sentido de maneira igual. “O que você vê é essa fatia do mercado de luxo se expandindo a um ritmo mais lento e as grandes marcas abocanhando um pedaço maior”, disse Rogerio Fujimori do banco RBC.

É o caso em Hong Kong. As vendas no território chinês despencaram 50%, segundo estimativas dos analistas, à medida que visitantes chineses deixaram de comprar ali.

Com os continuados protestos contra o governo, poucos acham que a situação vai melhorar em breve. A cidade representa 5% a 10% das vendas dos grupos de artigos de luxo. Rivais menores com apenas uma base em Hong Kong, que tradicionalmente serve como porta de entrada para a Ásia, perderam mais vendas. Mas pelo contrário, grandes marcas como Gucci criaram vastas redes de lojas no continente chinês através das quais elas devem recuperar parte das perdas.

A principal dúvida do setor é se os consumidores chineses continuarão gastando generosamente. Esperava-se que medidas de repressão adotadas pelo governo dizimariam as vendas há alguns anos, mas isso mal foi notado. Os compradores chineses representam 33% de todas as vendas de produtos de luxo, o dobro do registrado em 2010, segundo a consultora Bain. Cerca de dois terços do crescimento do setor vêm da China. A perspectiva de uma guerra comercial até agora não afetou a confiança do consumidor.

E um declínio nas vendas será novamente sentido primeiramente pelas marcas de segundo escalão. Especialmente entre os compradores da classe média emergente em locais como a China, os consumidores compram um produto por ano, disse Luca Solca, da empresa de pesquisa Bernstein. Com um orçamento apertado, eles vão preferir “as marcas do momento”, aumentando as vendas das rivais mais modestas.

Empresas do porte da LVMH e Kering continuam a injetar dinheiro em marketing para manter sua marca grandiloquente. Gastaram mais do que suas concorrentes menores nos recursos de venda dos seus produtos online, um canal que hoje contribui em 10% para as vendas, mas deve crescer rápido. Nos Estados Unidos, a sorte das marcas de menor luxo está ligada à das lojas de departamento, que estão desaparecendo. As grandes marcas possuem lojas próprias.

Um fato adverso que afetaria as empresas de artigos de luxo é a ascensão do protecionismo. As tarifas retaliatórias impostas recentemente pelos Estados Unidos à Europa para compensar os subsídios ilegais ao setor aeroespacial, incluíram algumas bebidas alcoólicas, que a LVMH também vende (o champanhe foi excluído). No entanto, o conglomerado encontrou uma solução elegante para mitigar os impostos de importação. Esta semana seu patrão, Bernard Arnault, inaugurou o mais recente ateliê de produção da Louis Vuitton no Texas. / Tradução  TEREZINHA MARTINO 

*© 2018 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM

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