Mercado de PCs deve cair 25% neste ano

Com consumidores mais interessados em tablets e smartphones, vendas no segmento devem ter forte recuo, estima consultoria

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2014 | 02h03

ELDORADO DO SUL (RS) - A confluência infeliz da desaceleração da economia e da consolidação de aparelhos concorrentes deve desferir um golpe no principal mercado da americana Dell no País: a venda de PCs (desktops e notebooks). Segundo a consultoria IDC, a previsão é que as vendas de PCs tenham uma queda de 25% no País neste ano. Os primeiros resultados negativos já começaram a aparecer: só no primeiro semestre, a categoria teve uma retração de 28% nas vendas.

Segundo o analista Pedro Hagge, da IDC Brasil, a própria maturidade do mercado de PCs ajuda a explicar essa retração. À medida que já conquistou o computador, o consumidor tende a buscar outros produtos. Segundo a mais recente Pnad, pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 46% dos lares brasileiros já têm computador. O especialista diz que a presença dos tablets é bem menor, de cerca de 12%. Ou seja: essa segunda categoria tem bem mais espaço para se expandir.

O tablet, porém, pode canibalizar parte do mercado que o PC ainda teria a conquistar no Brasil. Isso porque, segundo Hagge, parte da população brasileira pode satisfazer suas necessidades de acesso à internet com um tablet. A atração do produto, na comparação com um PC tradicional, também se dá pelo preço. Hoje, segundo a IDC Brasil, os tablets mais vendidos no País são de marcas pouco conhecidas, de configuração simples e preço até R$ 500.

A Dell admite que seu principal mercado está em retração no Brasil e em boa parte do mundo. Por isso, está indo à luta para abocanhar uma fatia maior do pedaço do bolo que restou. "Hoje, a Dell tem cerca de 14% do mercado global", explica o presidente da área de consumo da empresa, David Schmoock. "Há um bom contingente de clientes que podemos conquistar. Temos muito a crescer."

A empresa terminou o primeiro trimestre, segundo a IDC, com 12,2% do mercado de PCs no Brasil - um avanço de 80% em apenas um ano. Mas a companhia não foi a única a ganhar mercado. O grupo Lenovo diz ter visto sua fatia no País crescer 40% e atingir 13,5%, na mesma base de comparação. "As vendas estão bem divididas entre as nossas duas marcas", diz Humberto De Biase, diretor de marketing da Lenovo para a América Latina, destacando que a CCE é dedicada a produtos de entrada e a Lenovo a itens mais sofisticados.

Evolução. A emergência das duas marcas, segundo uma fonte do setor, não é reflexo apenas do trabalho interno. Reflete também uma evolução natural. À medida que o mercado fica mais disputado e mais investimentos em produtos diferenciados são necessários para convencer o cliente a comprar, as marcas "aventureiras", que oferecem produtos muito básicos, tendem a desaparecer. É por isso que a oferta de produtos "genéricos" hoje está mais concentrada no setor de tablets.

Os tablets, aliás, acabaram de entrar para a linha de produtos da Dell. Cinco anos após a Apple ter inaugurado este mercado com o iPad, a companhia lançou em março seus primeiros produtos do gênero no País.

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