Mercado de trabalho acompanhou economia, aponta Ipea

O mercado de trabalho acompanhou de perto a desaceleração da atividade econômica ocorrida no terceiro trimestre, segundo conclui o Ipea em nota de conjuntura divulgada hoje. Segundo analistas da instituição, a variação da ocupação acumulada em 12 meses, que foi de 665 mil postos na média do segundo trimestre, reduziu-se para 454 mil na média do terceiro. De acordo com o Ipea, desagregando a ocupação por setor de atividade, apenas o comércio e os serviços ofereceram número significativo de novas vagas no terceiro trimestre em comparação com o período imediatamente anterior. O setor industrial, segundo o Ipea, apesar de não ter registrado perda líquida de vagas, criou apenas 10 mil novos postos de trabalho de julho a setembro, frente a um crescimento de 43 mil empregos no trimestre anterior. Os analistas destacam que outro setor que também demonstrou piora na evolução da ocupação foi a construção civil, que perdeu 5,5 mil vagas no acumulado do terceiro trimestre, contra crescimento de 2,1 mil vagas no trimestre anterior. Melhora qualidade do emprego O Ipea ressalta que essa desaceleração no ritmo de crescimento do emprego foi acompanhada por um aumento da qualidade dos postos de trabalho criados, à medida que os empregos com carteira do setor privado continuaram a aumentar mais rapidamente que os sem carteira, "fenômeno que já se observa por oito meses seguidos, um fato inédito na nova metodologia da PME (iniciada em março de 2002)". Outro dado positivo, segundo a nota do Ipea, é que a massa salarial efetiva "provavelmente ainda mostrará algum crescimento ao longo deste segundo semestre, refletindo tanto a expansão, mesmo que moderada, do emprego e a elevação dos rendimentos médios reais, principalmente numa perspectiva de inflação em franco declínio no acumulado em 12 meses". Os analistas do Ipea alertam, entretanto, que apesar das mudanças positivas em alguns indicadores do mercado de trabalho, "ainda é preciso avançar para que a melhora seja sustentável". Eles sublinham que "a recuperação dos rendimentos reais ainda é lenta, o aumento do grau de formalidade é menos claro quando os setores público e privado são agrupados e o contingente de trabalhadores sub-remunerados, que muitas vezes entram no mercado de trabalho para reforçar o rendimento familiar permanece relativamente elevado (2,95 milhões de pessoas em setembro)".

Agencia Estado,

08 Novembro 2005 | 18h46

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