Mercado de trabalho está aquecido, diz economista do BC

O mercado de trabalho no Brasil está acima de seu potencial, enquanto o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) na indústria está abaixo. O primeiro fenômeno eleva a inflação de bens não comercializáveis, enquanto o segundo pressiona para baixo os preços de bens comercializáveis, mostra estudo do economista Sergio Lago, do Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep) do Banco Central (BC).

IDIANA TOMAZELLI, MARIANA DURÃO E VINICIUS NEDER, Agencia Estado

16 de maio de 2014 | 16h42

"A taxa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e da produção industrial tem caído desde 2010, mas a taxa de desemprego não aumentou nesse período", afirmou Lago nesta sexta-feira, 16, ao apresentar o estudo, de caráter pessoal, no XVI Seminário Anual de Metas para a Inflação, promovido pelo Banco Central (BC), no Rio. Segundo o economista, nem mesmo o grande choque provocado pela crise financeira internacional de 2008 foi capaz de provocar desvio de tendência na taxa de desemprego. "As razões para a queda do desemprego (neste cenário) ainda são desconhecidas", ponderou o economista.

No estudo, Lago descreve o que ele chama de "dicotomia" na economia brasileira no período recente. "Enquanto o setor industrial apresenta fraco desempenho, o mercado de trabalho encontra-se aquecido, gerando pressões sobre o hiato do produto."

Apesar disso, o aquecimento do mercado de trabalho esconde uma migração unilateral de pessoal ocupado, da indústria para o segmento de serviços. Como a taxa de desemprego tem caído nos últimos anos ao mesmo tempo em que os salários reais apresentam ganhos, esta migração gera pressão sobretudo sobre a remuneração paga pela indústria, citou Lago. O setor manufatureiro, contudo, não tem como repassar esses custos, já que os preços finais são ditados pelo mercado externo (por serem bens comercializáveis).

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