Mercado de trabalho está no centro do debate político

Obama dedica especial atenção às regiões com maior desemprego, às vésperas da eleição para renovação do Congresso

, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2010 | 00h00

Na quinta-feira, dia seguinte à assinatura da lei de reforma do sistema financeiro, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sancionou a extensão dos subsídios aos desempregados até o fim de novembro.

Resultado de um duro embate político no Congresso contra os republicanos, que se opunham ao benefício, sob a alegação de que expandirá em US$ 34 bilhões o rombo fiscal, a nova lei tenderá a aliviar a pressão sobre o Partido Democrata, de Obama, em um delicado período eleitoral.

O desemprego elevado e persistente virou moeda política de alto valor nos Estados Unidos por causa da eleição no início de novembro. Como esse pleito sempre é organizado na metade do mandato presidencial, adquire um caráter de referendo do governo federal. Desta vez, serão escolhidos todos os 435 deputados federais e um terço do Senado (36 de 100 cadeiras), além de governadores de 37 Estados e de dois territórios.

Nesse cenário, a adoção de uma lei que permitirá a 2,5 milhões de desempregados receber seus cheques até três semanas depois das eleições terá peso político inegável.

Atenção especial. Desde o início do governo Obama, a Casa Branca vem dedicando especial atenção às regiões nas quais se prevê uma disputa difícil para o Partido Democrata em novembro. Na maior parte dos casos, elas coincidem com os Estados com taxas de desemprego acima da média nacional, de 9,5% em junho.

De acordo com o Wall Street Journal, não foi à toa a escolha dos destinos de 172 viagens de altos funcionários do governo para divulgar o pacote oficial de recuperação econômica nos últimos 18 meses.

Entre os protagonistas dessas jornadas estavam o próprio Obama e o vice-presidente, Joe Biden. Desse total de viagens, 70 foram destinadas a seis Estados nos quais o embate eleitoral se mostra acirrado e que serão, por isso mesmo, decisivos nas eleições presidenciais de 2012.

Nesse grupo estão quatro Estados nos quais a taxa de desemprego supera a média nacional - Ohio, onde o índice chega a 10,5%; Flórida, com 11,4%; Califórnia, com 12,3%; e Michigan, onde a taxa já está em 13,2% - e dois com porcentuais levemente inferiores a essa média - Pennsylvania, com 9,2%, e Missouri, com 9,1%.

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