Mercado de trabalho formal perde 115,6 mil vagas, no pior maio desde 1992

É a primeira vez que o Caged apresenta resultado negativo em maio; no mesmo mês de 2014, saldo havia sido positivo em 58,8 mil 

Rachel Gamarski , O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2015 | 12h13

BRASÍLIA - O Brasil voltou a perder vagas de emprego formal no mês de maio, após recorde negativo em abril. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta sexta-feira, foram fechados 115.599 postos de trabalho no mês passado. 

O número informado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) é o pior para o mês da série histórica, iniciada em 1992, e é a primeira vez que apresenta resultado negativo em maio. No mesmo mês do ano passado, o saldo foi positivo em 58.836 pela série sem ajuste.

O resultado de abril ficou próximo às piores expectativas do mercado, coletadas pelo AE Projeções. O levantamento com 16 instituições apontava para um número que iria de 20 mil negativos a um total também negativo de 124.448 mil, com mediana indicando um fechamento de 52 mil vagas de emprego, sem ajuste sazonal.

A série sem ajuste considera apenas o envio de dados pelas empresas dentro do prazo determinado pelo MTE. Após esse período, há um ajuste da série histórica, quando os empregadores enviam as informações atualizadas para o governo. 

Indústria. Refletindo o cenário de deterioração da economia, a indústria de transformação foi a responsável pelo maior número de fechamento de vagas formais de trabalho em maio. No total, foram fechados 60.989 postos no setor, resultado de 230.981 admissões e 291.970 desligamentos no período.

Em segundo lugar nos destaques negativos, serviços reduziu 32.602 postos. Já a construção civil fechou 29.795 vagas e o comércio encerrou 19.351 empregos no mês. O único setor com saldo positivo em abril foi a agricultura, com 28.362 novas vagas. 

Ajuste. O saldo de maio confirma a tendência de piora do mercado de trabalho, dentro do esperado processo de ajuste da economia brasileira, avaliou o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito. Ele destacou o fechamento de vagas no setor de serviços. Para ele, apesar de negativo, isso pode ser "entendido como uma boa notícia", pois ajudará mais fortemente o controle da inflação.

"O resultado veio em linha com o ajuste esperado na economia brasileira por meio do mercado de trabalho. O governo tem que entregar uma desaceleração econômica de tal sorte que o emprego diminua e o salário pare de subir e até caia em termos reais", afirmou. 

Ele destacou que o saldo negativo de 32.602 vagas em serviços deve ajudar a controlar a inflação do setor, que vem rodando em patamares muito altos, o que servirá como um "contraponto" à alta de preços administrados e variação cambial.

"Pode parecer de mal gosto, mas a boa notícia é que a situação está ruim. O Caged confirma a tendência de ajuste na principal variável de ajuste na economia brasileira, que é o mercado de trabalho", afirmou. 

Mesmo com a piora do desemprego e da renda, o economista prevê que o BC deve continuar com o ciclo de aperto monetário até conseguir ancorar as expectativas da inflação para o ano que vem. "Se a situação está ruim agora, imagine em setembro, quando deve fazer a última alta de juros, para 14,5%", disse.

 (Com informações de Igor Gadelha, da Agência Estado)

Tudo o que sabemos sobre:
cagedemprego

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.