Mercado de trabalho forte é intrigante frente ao PIB, diz Schwartsman

Para o economista, queda da taxa de desemprego para 5,8% em maio contrasta com a performance fraca apresentada pelo Produto Interno Bruto e pela produção industrial

Patrícia Lara, da Agência Estado,

21 de junho de 2012 | 13h49

SÃO PAULO - O mercado de trabalho brasileiro continua mais apertado do que nunca, avalia o ex-diretor do Banco Central e ex-economista do Santander Alexandre Schwartsman. Para o economista, que hoje está à frente de sua própria consultoria, a queda da taxa de desemprego para 5,8% em maio é intrigante, já que contrasta com a performance fraca apresentada pelo Produto Interno Bruto e pela produção industrial. "O PIB anda de lado há três trimestres e o emprego continua acelerando", ponderou Schwartsman, em entrevista por telefone.

Para o economista, há duas explicações possíveis para esse quadro dissonante. Segundo ele, uma explicação para isso seria a possibilidade de que haveria uma queda da produtividade por trabalhador no País. "E à parte do setor industrial, eu não encontro essa queda da produtividade", disse. A outra, seria a possibilidade de os indicadores que medem a atividade do setor de serviços não estarem funcionando corretamente no Brasil.

"Qualquer que seja a fonte dessa discrepância, é difícil não concluir que o mercado de trabalho continua muito apertado, como fica sugerido pela queda da taxa de desemprego e pelo forte crescimento do salário", ponderou.

Segundo o economista, a taxa de 5,8% torna-se ainda mais significativa à luz do aumento da taxa de participação no mercado, que considera o total de pessoas em idade adequada para trabalhar que estão efetivamente empregadas ou procurando por uma oportunidade. De acordo com o economista, essa taxa foi de 57,6% em maio, quando a população economicamente ativa somava 42,383 milhões de pessoas, enquanto 24,398 milhões desse total tinham um emprego efetivo ou estavam procurando uma vaga em maio. Segundo Schwartsman, essa taxa é a mais alta já observada para um mês de maio. "Afinal, em termos ajustados sazonalmente, este é o nível mais elevado de participação já alcançado", ponderou.

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