Mercado de trabalho já estagnou, acreditam economistas

Número de novos empregos em setembro pode ser recorde, mas tendência é de desaceleração

Célia Froufe, da Agência Estado,

19 de outubro de 2010 | 08h10

Os números de novos postos de emprego formal de setembro, que o Ministério do Trabalho divulgará nesta terça-feira, 19, poderão ser o maior da série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que teve início em 1992, segundo analistas do mercado financeiro consultados pela Agência Estado. A tendência para os resultados mensais até o final do ano, no entanto, não é tão positiva, na avaliação desses economistas. Já para o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, a perspectiva é de recorde mensal para o período em questão até novembro.

Para o economista da LCA Consultores, Fábio Romão, a quantia de vagas criadas com carteira assinada no mês passado será de 309.571. Até então, o recorde havia sido registrado em junho de 2008, de 309.442 novos postos. Em setembro do ano passado, foram criados 252,6 mil empregos formais e, no mês passado, 299,4 mil.

Com ajuste sazonal, quando são descontados os efeitos específicos de cada mês, a projeção de Romão é de 208 mil vagas. Em agosto, pelo mesmo sistema de dessazonalização, a geração de vagas calculada pelo economista da LCA foi de 217 mil. "A diferença é pequena e a ideia é mostrar que há manutenção do ritmo importante de geração de empregos", avaliou. Em junho e julho, o resultado foi próximo de 170 mil vagas a cada mês pelo critério de ajuste sazonal.

O destaque dos meses do meio do ano é atribuído ao desempenho da indústria, que se prepara para as comemorações de final de ano. "Este é o verdadeiro período de Natal para o setor", comentou Romão. Além disso, os Serviços e a Construção Civil continuam em um ritmo acelerado de contratações, observou o consultor. Para ele, no entanto, o entusiasmo deve esfriar nos meses seguintes, com a acomodação das vendas. "E 2011 será outra história por conta da eleição", salientou.

O ritmo de novas vagas de trabalho criadas deve desacelerar nos próximos meses também na avaliação da economista do Santander, Luíza Rodrigues. Para ela, a indústria já chegou ao seu máximo de contratação e o agronegócio, além de estar sofrendo com o câmbio, não deve ter uma produção tão forte na safra que começou no meio do ano. Os serviços, pontua, ainda continuam forte, mas já devem mostrar acomodação a partir dos dados divulgados hoje. "A tendência para os próximos meses é de redução das contratações levando em conta a perspectiva de taxas de juros mais altas", considerou. Luíza não descarta a possibilidade de novos recordes mensais ainda serem registrados em um mês ou outro por conta dos empregos temporários. "Em setembro ainda poderemos ver uma alta, mas verificamos que, no acumulado de 12 meses, o crescimento já estagnou", disse.

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