Mercado de trabalho piorou em 2001

O mercado de trabalho piorou no País no ano passado, apesar da taxa média de desemprego ter sido menor (6,2%) do que a registrada em 2000 (7,1%). A gerente da Pesquisa de Emprego e Rendimento do IBGE, Shyrlene Ramos de Souza, disse que o principal sintoma dessa deterioração é o pequeno crescimento do número de pessoas ocupadas (0,6%) em 2001, ante 4,3% de expansão no ano anterior. Outro dado que confirma a piora do mercado no ano passado é o crescimento de 6,2% na população não economicamente ativa (não está trabalhando e não procura emprego), enquanto a população economicamente ativa (trabalhando ou procurando trabalho) teve redução de 0,4%. Shyrlene lembrou que o aumento do número de não economicamente ativos inclui os que desistiram de procurar trabalho, além de aposentados e donas de casa, mas o IBGE não desagrega o dado para saber qual a contribuição de cada parcela. Ela admitiu que o crescimento dessa fatia em momento de desaceleração econômica "é um sinal de que as pessoas podem estar desistindo de procurar trabalho". Rendimento caiuO rendimento médio real dos trabalhadores brasileiros registrou reduções consecutivas entre janeiro e novembro do ano passado. Após um crescimento de 0,9% em dezembro de 2000, o rendimento começou a cair em janeiro (-1,1%) e registrou a maior queda do ano em novembro (-7,7%), na comparação com iguais meses do ano anterior. Na média dos 11 meses do ano, a queda para as pessoas ocupadas foi de 3,4%, ante mesmo período de 2000. Os números do rendimento de dezembro serão divulgados em fevereiro. Shyrlene Ramos de Souza sublinhou que com redução da demanda por trabalhadores nas empresas, os sindicatos "perderam o poder de barganha para reivindicar salários mais adequados". A queda do rendimento em 2001 ocorreu em todas as categorias de ocupação e setores de atividade. Na variação da média do período de janeiro a novembro houve redução no rendimento dos empregados com carteira assinada (-4%), sem carteira assinada (-1,7%), por conta própria (-1%), na indústria de transformação (-4,4%), construção civil (-4,1%), comércio (-5,5%) e serviços (-3%).

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