Mercado de trabalho tem desempenho recorde no pré-crise

Desemprego cai ao menor nível da série em 2008, mas rendimento desacelera ritmo de expansão, aponta Pnad

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

18 de setembro de 2009 | 10h00

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou um ótimo desempenho no mercado de trabalho no Brasil nos meses pré-crise de 2008. Segundo o levantamento, cuja apuração foi concluída em setembro, antes dos efeitos das turbulências nos indicadores econômicos, a taxa de desemprego no ano passado ficou em 7,1%, ante 8,1% em 2007. A taxa de 2008 foi a menor desde o início da série desse indicador na Pnad, em 2001. As informações foram divulgadas pelo IBGE nesta sexta-feira, 18.

 

 

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O rendimento médio real mensal do trabalho prosseguiu em trajetória de aumento no País em 2008, mas o ritmo de crescimento caiu em relação aos anos anteriores. Segundo o estudo, a renda média real (das pessoas de 10 anos ou mais de idade, ocupadas e com rendimento) foi estimada em R$ 1.036,00 no ano passado, com alta de 1,7% ante o ano anterior. A variação foi menor do que a apurada em 2007 ante 2006 (3,1%) e a 2006 ante 2005 (7,2%).

 

Em 2008, o número de pessoas ocupadas no Brasil somou 92,4 milhões de pessoas, com aumento de 2,8% em relação a 2007, quando havia 89,89 milhões de ocupados. De um ano para o outro, foram registrados 2,5 milhões de postos de trabalho a mais do que no ano anterior. Ao contrário da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada mensalmente pelo IBGE e que abrange apenas seis regiões metropolitanas do País, a Pnad tem abrangência nacional.

 

Aumento da formalidade

 

As boas notícias confirmadas pela pesquisa sobre o mercado de trabalho no ano passado incluem também o aumento da formalidade. O porcentual de trabalhadores com carteira assinada no total de ocupados passou de 33,1% em 2007 para 34,5% no ano passado. O número de empregados (excluindo trabalhadores domésticos), com carteira assinada, aumentou em 2,1 milhões de 2007 para 2008, o que significa que a maior parte das contratações ocorridas no ano passado foram formais. De um ano para o outro, houve aumento de 7,1% no total de empregos com carteira.

 

O gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, destacou que desde 2004, paulatinamente, há aumento do emprego com carteira assinada no País e o ano passado deu sequência a um processo de formalização do mercado de trabalho. Ainda de acordo com ele, mesmo com a redução da taxa de desemprego no ano passado, "o número ainda é elevado, a demanda para se inserir no mercado de trabalho ainda é grande no Brasil, temos ainda um passivo forte de desocupação".

 

Índice de Gini mostra recuo da concentração de renda

 

A Pnad apontou também que, ainda no ano passado, as camadas mais baixas de rendimento apresentaram os maiores ganhos em relação ao ano anterior. Segundo a pesquisa, para os 10% das pessoas ocupadas com os rendimentos mais baixos, o crescimento do rendimento médio real mensal foi de 4,3% ante o ano anterior, enquanto os 10% dos trabalhadores que tinham os rendimentos mais elevados tiveram um aumento de 0,3% de um ano para o outro.

 

Com a continuidade na alta do rendimento, sobretudo para os que ganham menos, houve prosseguimento também no recuo na concentração do rendimento do trabalho. O índice de Gini, que mede o nível de concentração de renda - quanto mais próximo o índice estiver de 1, maior a concentração - caiu de 0,528 em 2007 para 0,521 em 2008.

 

No que diz respeito ao rendimento médio mensal real dos domicílios, a PNAD 2008 mostrou uma renda estimada em R$ 1.968,00, com alta de 2,8% ante o ano anterior. Neste caso, houve aceleração no aumento em relação aos apurados em 2007 ante 2006 (1,4%), mas a alta foi inferior à registrada em 2006 ante 2005 (7,6%). (Jacqueline Farid, segue)

 

Entenda a Pnad

 

A Pnad é realizada anualmente e investiga os temas de habitação, rendimento e trabalho, associados a aspectos demográficos e educacionais. A pesquisa tem seus primórdios em 1967, quando foi iniciada apenas na área do Rio de Janeiro, e na atualidade é realizada nacionalmente, por meio de uma amostra de domicílios. No levantamento divulgado nesta sexta-feira, 18, foram pesquisadas 391.868 pessoas e 150.591 unidades domiciliares, distribuídas por todo o País.

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