Mercado de trabalho tem menor criação de vagas em 4 anos no 1.º semestre

Foram gerados 826 mil empregos de janeiro a junho deste ano, 21% abaixo que no mesmo período de 2012 e o menor resultado desde 2009

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

23 de julho de 2013 | 14h14

BRASÍLIA - O País criou 826.168 empregos formais no primeiro semestre de 2013. O resultado é 21% menor do que no mesmo período do ano passado, quando foram criadas mais de 1 milhão de vagas, e é também o desempenho mais fraco desde 2009, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Naquele ano, foram criados 397.936 postos de trabalho de janeiro a junho.

O ministro do Trabalho, Manoel Dias, disse que este movimento de queda não preocupa. "É uma questão do momento que levou à redução de geração de novos empregos. O total de junho é superior ao do ano passado", disse. "Diante do quadro que estamos vivendo no mundo, o número de empregos gerado no governo Dilma é espetacular", afirmou. Desde 2011, foram criados 4.428.220 novos postos de trabalho no Brasil.

Em junho, foram criadas 123.836 vagas, acima das expectativas dos analistas. A geração de empregos em junho foi 2,82% maior do que em junho do ano passado, pela série sem ajuste, mas 24,13% menor que no mês de junho de 2012, considerando a série com ajuste. Pela série ajustada, que considera os registros fora do prazo, em junho do ano passado foram abertas 163.227 novas vagas de trabalho com carteira assinada.

O ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, afirmou os dados atuais apontam para um saldo líquido de empregos formais este ano de no máximo 1,4 milhão. A última estimativa era de 1,7 milhão de novas vagas. "Os fatos mudam. Hoje, diante dos fatos que estão ocorrendo, a nossa previsão seria de máximo 1,4 milhão, o que é um bom número", afirmou.

O ministro, no entanto, relutou em divulgar um novo número. Ele disse, primeiro, que não faria mais estimativas. "Não vamos fazer mais previsões. Não vou gerar falsa expectativa como ministro do Trabalho. Não posso aqui me expor a isso. Por que amanhã vocês vão me cobrar isso", disse. Ao dar um novo número, ele explicou que a expectativa de 1,7 milhão de vagas foi elaborada no final do ano passado, com a realidade daquele momento. 

O número de demissões em junho foi o maior para o mês. Os desligamentos no mês passado foram de 1.648.358. As contratações, por outro lado, somaram 1.772.194, o segundo maior resultado para meses de junho.

Na avaliação do Ministério do Trabalho, o saldo líquido de empregos no mês passado, de 123.836, dá continuidade à trajetória de crescimento. O resultado está acima dos dados de maio, quando foram geradas 72.028 novas vagas. De acordo com o ministério, tradicionalmente os dados do Caged mostram um comportamento em maio mais favorável que em junho, com exceção de 2008. "Isso que parece confirmar a hipótese da postergação de uma parte das contratações daquele mês (maio)", afirma o documento.

A Agricultura, pelo segundo mês consecutivo, liderou as aberturas de vagas formais, com 59.019 postos. O setor de serviços teve um saldo líquido de empregos formais de 44.022, mostrando reação em relação ao mês anterior. No comércio, foram abertos 8.330 novos postos de trabalho e, na indústria de transformação, 7.922.

São Paulo

O saldo líquido de emprego formal em São Paulo no mês de junho foi de 33.896, segundo os dados Caged. O resultado é maior que em junho do ano passado, quando foram abertas 25.196 novas vagas no Estado. O setor de agricultura puxou o desempenho no mês, com 23.277 novos postos. No setor de serviços, alcançou 9.068 e, no comércio, 2.031 vagas formais. No primeiro semestre, São Paulo gerou 290.864 nos empregos com carteira assinada.

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