Mercado de TV digital dos EUA traz lições para o Brasil

Dez anos de implantação da TV digital não foram suficientes para os americanos comprarem novos aparelhos

Ethevaldo Siqueira, LAS VEGAS, O Estadao de S.Paulo

14 de abril de 2008 | 00h00

O NAB Show 2008 traz lições muito úteis para o Brasil sobre a transição entre a TV analógica e TV digital, que começou nos Estados Unidos em fevereiro de 1998. A grande preocupação da indústria, do governo e das emissoras de televisão norte-americanas é a data improrrogável dessa transição final, 13 de fevereiro de 2009, quando todas as emissoras de TV tirarão do ar os sinais analógicos e só transmitirão os digitais. O Brasil começou a introduzir a TV digital na Grande São Paulo em 2 de dezembro de 2007 e, contrariando as expectativas otimistas, caminha muito lentamente, com apenas alguns milhares de televisores e sintonizadores vendidos. Veja o que muda na TV com as novas tecnologiasNos Estados Unidos, mesmo depois de 10 anos de transmissões, a TV digital ainda não chega a mais de 48% dos domicílios norte-americanos. Por outras palavras, mais da metade do público telespectador dos Estados Unidos ainda não se dispôs a investir pelo menos em um sintonizador digital ou no televisor integrado, de maiores dimensões, totalmente equipado para receber tanto os programas digitais quanto as imagens de alta definição.Para as famílias de baixa renda, o Congresso deve aprovar recursos para subsidiar a compra dos sintonizadores (set-top boxes), cujo custo real está próximo de US$ 100, mas que poderão ser vendidos a cerca de US$ 30, às famílias mais pobres. Seria uma espécie de Bolsa-TV, para incentivar a transição para a TV digital.Imaginem o ritmo de implantação da TV digital no Brasil, com o baixo poder aquisitivo da maioria da população, e a dificuldade generalizada de se compreender não apenas o que é, mas também quais as vantagens da nova tecnologia.Nas lojas dos Estados Unidos, as ofertas de televisores de grandes dimensões são as mais tentadoras, com preços mais realmente baixos em relação aos que vigoravam no Natal, isto é, há menos de 5 meses. Há casas em Las Vegas que vendem televisores de plasma de 50 polegadas, por US$ 1.500, ou seja, cerca de R$ 2.500.Os grandes debates deste NAB Show se concentrarão, sem dúvida, na difusão mais completa de informações sobre a transição para a TV digital e, em especial, para as imagens de alta definição. David Rehr, presidente da Associação Norte-Americana de Radiodifusão (National Association of Broadcasters, que dá a sigla NAB), lembra que o grande esforço dos próximos 10 meses tem que ser a informação mais acessível e completa sobre o que significa a TV digital e a alta definição para os telespectadores em geral. "Mais do que simplesmente informar, diz ele, temos que convencer o cidadão a investir na nova tecnologia, porque o futuro é das tecnologias digitais."Os debates sobre tecnologia, regulação e mercado começaram ontem com as primeiras apresentações. A exposição do NAB Show 2008 abre nesta segunda-feira, com a previsão de mais de 110 mil visitantes profissionais. 30 mil visitantes de mais de uma centena de países, cobrindo um mercado de US$ 50 bilhões. A presença de brasileiros do setor de radiodifusão deverá bater todos os recordes, com a vinda de mais de 3 mil profissionais.Entre os demais temas de interesse, o NAB Show 2008 debaterá mobilidade na TV (ou seja, televisão no celular e em veículos), a qualidade do som digital; o futuro da TV digital; investimentos em multimídia; o problema dos direitos autorais; e o futuro das demais mídias - como rádio, jornal, revistas e a publicidade - diante da TV digital.A TV estatal japonesa, a NHK é a maior sensação entre as empresas internacionais de televisão por suas inovações tecnológicas, entre as quais a Ultra High Definition Television (U-HDTV), que produz imagens de até 11 metros de diagonal, com 16 vezes mais densidade do que as imagens atuais de alta definição de 2 milhões de pixels. A U-HDTV forma imagens com 32 milhões de pixels. Neste ano, mais do que tecnologia, o NAB Show escolheu como tema principal a questão do conteúdo, passando desde a TV móvel aos podscastings.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.