Mercado derruba PIB de 2013 pela sexta vez consecutiva

O crescimento do Brasil em 2013 foi reduzido de 3,40% para 3,30%, segundo o Boletim Focus, do Banco Central

EDUARDO RODRIGUES / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2012 | 02h01

Embora a presidente Dilma Rousseff tenha garantido na semana passada que o Brasil terá um "PIBão grandão" em 2013, o mercado financeiro voltou a revisar para baixo as estimativas para o crescimento da economia no próximo ano. Os analistas entrevistados pelo Banco Central para o relatório Focus derrubaram a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do ano que vem pela sexta semana consecutiva, passando de 3,40% para 3,30%. Há quatro semanas, o indicador esperado pelos economistas era de 3,94%.

Faltando apenas uma semana para o fim de 2012, as estimativas para o PIB deste ano pararam de cair e se estabilizaram em uma expansão de apenas 1%. Um mês atrás, os analistas ainda projetavam um crescimento de 1,50%.

O fraco desempenho da economia levou o próprio Ministério da Fazenda a desistir de continuar apresentando projeções para a expansão da atividade neste e no próximo ano. O último boletim Economia Brasileira em Perspectiva, publicado na semana passada pela pasta, pela primeira vez simplesmente não trouxe nenhuma previsão. O PIB de 2012 será o menor desde o auge da crise em 2009, quando o País registrou uma contração de 0,3% na economia. Nos anos seguintes (2010 e 2011), a evolução da economia foi de 7,5% e 2,7%, respectivamente.

Um dos principais termômetros da economia que ajudam a entender o baixo crescimento do País é a produção industrial, que deve cair este ano e recuperar pouco em 2013. Para o mercado, o tombo da indústria em 2012 será de 2,31%. Para 2013, a estimativa, que era de uma expansão de 4,20% há quatro semanas, já desacelerou para 3,50%.

Outro indicador que piorou nos cálculos dos analistas foi a previsão para o superávit comercial. Para 2012, houve um recuo de US$ 19,50 bilhões para US$ 19,25 bilhões. Há quatro semanas, a previsão de saldo da balança comercial era de US$ 19,60 bilhões. Para 2013, a previsão também caiu, de US$ 15,60 bilhões para US$ 15,52 bilhões, voltando à mesma estimativa de quatro semanas atrás.

Inflação. Enquanto as previsões do mercado para o desempenho da economia não param cair, as estimativas para a inflação seguem no sentido contrário. Pela terceira semana consecutiva, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2012 foi elevada, passando de 5,60% para 5,69%. Um mês atrás, os analistas previam um alta de preços de 5,43% para este ano.

Os resultados da pesquisa também indicam que os consumidores terão que lidar com uma inflação semelhante em 2013. Para o mercado financeiro, o IPCA do próximo ano deverá chegar a 5,47%, pouco acima do que era previsto há quatro semanas (5,40%). Apesar de ambas as previsões superarem o centro da meta do governo, de 4,5% para cada um desses dois anos, os analistas continuaram apostando na manutenção da taxa Selic no patamar atual 7,25% ao ano até o fim de 2013. A meta de inflação tem um intervalo de tolerância de 2 pontos porcentuais, para mais ou para menos.

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