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Mercado desaprova mas não vê em IOF reversão para bolsa

O governo criou um ruído ao taxar o investimento estrangeiro no mercado acionário, mas não deve conter a tendência de alta da Bovespa depois de um mal-estar inicial, segundo profissionais do mercado.

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

20 de outubro de 2009 | 18h06

Entre os potenciais efeitos negativos, os analistas citam redução do apetite estrangeiro em ofertas públicas de ações e a migração de parte da liquidez para os ADRs negociados em Nova York

Nesta terça-feira, o principal índice da bolsa paulista chegou a cair quase 5 por cento, a 64.075 pontos.

"Tinha gente procurando motivo para realizar lucro e encontrou", afirmou Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da corretora Souza Barros. "Mas isso não muda a tendência, que é de alta."

O Citigroup também avalia que a incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no mercado de ações pode levar a uma realização de lucro de curto prazo. A tendência de valorização dos ativos brasileiros, no entanto, não deve ser quebrada.

"Reiteramos nosso alvo de 70.000 pontos para a Bovespa no fim do ano", disse em relatório.

O raciocínio foi partilhado pelo JP Morgan, que também reiterou a recomendação de "acima da média" para os ativos brasileiros. "Acreditamos que o fluxo de recursos vai continuar", avaliou.

Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o objetivo da medida é "afugentar" especuladores da bolsa, depois de o Ibovespa ter acumulado, até a véspera, alta de 79 por cento em 2009. Grande parte desse desempenho foi patrocinado pelos estrangeiros, investidores que injetaram mais de 22 bilhões de reais na bolsa paulista no ano até o último dia 15.

A avaliação dominante é que os fatores-chave para guiar o fluxo de recursos --o efeito da alta das commodities sobre blue chips domésticas, expectativa de forte crescimento do PIB brasileiro em 2010, liquidez internacional e bons fundamentos da economia do país-- prevalecerão no médio prazo.

TRANSFERÊNCIA DE LIQUIDEZ

Segundo os analistas, um efeito negativo imprevisto até mesmo pelo governo seria o menor interesse dos estrangeiros em participar das ofertas públicas de ações de companhias domésticas.

Os papéis de companhias que estão realizando operações desse tipo estavam entre as mais penalizadas na Bovespa neste pregão. CCR despencava 6 por cento no meio da tarde, a 33,45 reais. Cyela encolhia 5,2 por cento, a 25,61 reais.

O pior cenário é a possibilidade de desvio de parte da liquidez dos negócios com ações de empresas brasileiras da Bovespa para a Bolsa de Valores de Nova York, onde são transacionados os ADRs de gigantes como Vale e Petrobras.

"Poderá ocorrer uma queda no volume negociado, tanto com o menor fluxo de estrangeiros como com a possível migração para negociação de ADRs de papéis de empresas brasileiras", avaliou a Link Corretora em relatório.

Neste contexto, a mais prejudicada tenderia a ser a própria BM&FBovespa. Com esse horizonte em mente, o investidor corria a vender ações da instituição, que despencava 9,5 por cento, para 12,26 reais, com o pior desempenhho do Ibovespa.

Para o analista Alcir Freitas, da Itaú Corretora, além de BM&FBovespa, o imposto também tem potencial efeito negativo para os grandes bancos, à medida que a taxação deve tornar mais caro o custo de captação externa.

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