Mercado duvida de dados do PIB argentino

Instituto de Estatística informa que PIB cresceu 3% no 1º trimestre, mas consultorias independentes dizem que avanço foi de 0,2% a 1%

Ariel Palacios, correspondente de O Estado de S.Paulo,

20 de junho de 2013 | 21h38

BUENOS AIRES - O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) informou ontem que o Produto Interno Bruto (PIB) argentino cresceu 3% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2012.

Surpresas com o anúncio otimista do governo da presidente Cristina Kirchner, as consultorias econômicas da ‘city’ financeira portenha ressaltaram que seus cálculos indicam um crescimento da economia nesse período muito inferior. Segundo elas, o aumento do PIB teria sido, na realidade, de 0,2% a 1%.

Uma delas, a consultoria Orlando Ferreres e Associados, comandada pelo ex-vice-ministro da Economia Orlando Ferreres, sustenta que o PIB teve um aumento real de 0,7% no primeiro trimestre do ano, equivalente a menos de um terço do índice oficial da Casa Rosada.

Os analistas afirmam que o governo Kirchner, além de maquiar os índices de inflação desde 2007, atualmente também está camuflando os números do PIB, com a intenção de evitar más notícias no momento em que o país está perto de iniciar uma dupla campanha eleitoral. Em agosto, os argentinos vão às urnas para votar - de forma obrigatória - nas convenções partidárias. Em setembro, voltarão às urnas para definir o novo Parlamento.

 

A presidente Cristina protagoniza uma férrea intervenção no Indec desde 2007. De lá para cá, a inflação oficial costuma ser de um terço à metade das estimativas realizadas pelas consultorias econômicas independentes.

Em 2012, o PIB argentino cresceu apenas 1,9%. No entanto, para 2013, o governo prevê um cenário otimista, já que o orçamento nacional estima um aumento de 4,4% do PIB.

Déficit. O governo de Cristina Kirchner está destinando substanciais verbas para tentar esconder graves problemas no setor de transporte e energia, entre outros, além de fazer o possível para evitar impopulares aumentos nas tarifas dos serviços num período eleitoral.

Segundo um relatório da Associação Argentina de Orçamento e Administração Financeira Pública, a Casa Rosada destinou nos cinco primeiros meses deste ano US$ 7,61 bilhões em subsídios para a importação de combustível, transporte ferroviários e de ônibus urbano, distribuição de energia elétrica e gás, entre outros. O gasto entre janeiro e maio equivale a um aumento de 39,6% em comparação com os cinco primeiros meses de 2012.

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