Mercado eleva para 6,29% alta do IPCA

Previsão do relatório Focus do BC tem sexta alta consecutiva, desta vez na véspera da reunião do Copom que deve elevar a taxa de juros

Fabio Graner / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2011 | 00h00

O mercado financeiro elevou pela sexta vez seguida a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2011, que passou de 6,26% para 6,29%, segundo informou ontem a pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central.

Para 2012, no entanto, a previsão foi mantida pela segunda semana seguida, em 5%. Os analistas consultados pelo BC também apontaram um cenário da Selic alta por mais tempo.

A expectativa para a taxa básica de juros no fim de 2012 subiu de 11,50% para 11,75% ao ano. Para este ano, a projeção dos economistas é que a Selic encerre em 12,25%, com mais uma alta de 0,5 ponto porcentual (na reunião de amanhã) em relação ao nível atualmente em vigor.

O economista-chefe da corretora Prosper, Eduardo Velho, avaliou que essa elevação da Selic prevista para o fim do ano que vem foi a grande novidade da pesquisa Focus. Para ele, isso indica que o mercado financeiro antevê dificuldades no front inflacionário também no ano que vem, o que dificultaria um processo de flexibilização da política monetária.

O economista lembra que há situações que pioram o quadro inflacionário para o futuro, como a expectativa de elevado reajuste do salário mínimo para 2012 e os elevados índices gerais de preços (IGPs) - que adicionam pressão, por exemplo, aos aluguéis.

"A percepção é que o BC terá dificuldade para reduzir o juro no ano que vem", disse. Diferentemente da maioria dos economistas, Velho prevê alta de 0,25 ponto porcentual na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Apesar da aposta diferente da maioria dos seus pares, o economista salientou que o mercado de juros futuros mostra uma grande divisão entre aqueles que estão colocando dinheiro na tentativa de antecipar a Selic. Parte acredita em alta de 0,25 ponto porcentual e outra parte, de 0,5 ponto.

"Essa é uma das reuniões do Copom em que vejo maior divisão do mercado", afirmou Velho, para quem o BC está com muita dificuldade de se comunicar. "O mercado não está conseguindo entender os rumos do BC", concluiu.

Câmbio. No grupo das cinco instituições que mais acertam as projeções de médio prazo (top 5), a previsão para o IPCA em 2011 subiu de 6,39% para 6,42%, encostando no teto da meta (que é de 6,5%).

Para 2012, o prognóstico para o índice oficial de inflação foi mudado de 5,36% para 5,44%, bem mais distante da média geral do mercado para esse indicador no próximo ano.

Diante da valorização recente do real, o mercado também revisou suas estimativas para a taxa de câmbio.

A expectativa para o dólar no fim deste ano recuou de R$ 1,68 para R$ 1,65. Para 2012, na avaliação do mercado, caiu de R$ 1,72 para R$ 1,71.

Já a taxa média de câmbio prevista para este ano caiu de R$ 1,66 para R$ 1,63, enquanto para 2012 recuou de R$ 1,72 para R$ 1,70.

Reavaliação

R$ 1,65

é a expectativa do dólar no fim deste ano, de acordo com o mercado, que previa antes R$ 1,68

R$ 1,71

é o quanto o mercado prevê para a cotação do dólar em 2012

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