Mercado eleva previsão de PIB e inflação para 2010, diz Focus

Estimativa da Selic sofre a primeira alteração após oito pesquisas seguidas e sobe para 9,5% para final de 2010

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

28 de setembro de 2009 | 09h11

Analistas do mercado financeiro elevaram a previsão do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2010 de 4,30% para 4,4%, e expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,2% para 4,5% também no próximo ano segundo a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira, 28, pelo Banco Central.

 

Em trajetória inversa, a previsão para a inflação em 2009 foi reduzida ligeiramente, de 4,31% para 4,30%. Apesar dessa leve diminuição, a expectativa atual é superior à observada há quatro semanas, quando o número estava em 4,29%. Nos dois cenários esperados pelo mercado financeiro, vale lembrar, a expectativa para o IPCA está abaixo do centro da meta, fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,50%.

 

O mercado elevou também a taxa básica de juro para 9,5% para 2010, sendo a primeira alteração da Selic após oito pesquisas seguidas em que a previsão da inflação ao final do próximo ano foi mantida em 9,25%. Com a mudança, o mercado passa a prever alta de 0,75 ponto porcentual no juro básico a partir de outubro de 2010 - sendo 0,50 pp em outubro e mais 0,25 pp até o final de dezembro. Essa previsão contrasta com o movimento do mercado de juros na última sexta-feira, quando várias instituições anteciparam o horizonte de início da alta dos juros para o primeiro semestre de 2010. Como esta foi a primeira pesquisa Focus divulgada após a apresentação do relatório trimestral de inflação do BC, ocorrida na própria sexta-feira, é possível que novas reações do mercado ao documento sejam observadas nas pesquisas das próximas semanas.

 

Para 2009, nada mudou e os analistas mantiveram a expectativa de que o juro básico deve seguir em 8,75% até dezembro. Essa previsão é repetida há 14 semanas.

 

No mesmo levantamento, a expectativa para a Selic média no decorrer de 2010 subiu de 8,86% para 8,94%, superando o número previsto há quatro semanas, de 8,90%. Para 2009, a previsão de juro médio manteve-se em 9,81% pela décima terceira semana.

 

Câmbio e contas externas

Analistas mantiveram a previsão para o patamar do dólar no fim do ano. O nível da moeda norte-americana no fim de 2009 ficou em R$ 1,80, a mesma cotação esperada para o fim de 2010. A previsão de câmbio médio no decorrer de 2009 manteve-se em R$ 2,01.

O mercado financeiro manteve as previsões para o déficit nas contas externas em 2009. A previsão para o déficit em conta corrente neste ano ficou em US$ 15 bilhões. Para 2010, a previsão de déficit em conta corrente do balanço de pagamentos subiu de US$ 22,8 bilhões para US$ 23,6 bilhões.

A previsão de superávit comercial em 2009 subiu de US$ 25 bilhões para US$ 25,3 bilhões. Para 2010, a estimativa para o saldo da balança comercial permaneceu em US$ 18 bilhões.

Analistas mantiveram a estimativa de ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2009 em US$ 25 bilhões. Para 2010, a estimativa de IED permaneceu em US$ 30 bilhões.

 

Produção industrial

 

Para a produção industrial, analistas mantiveram a expectativa de que o setor deve crescer 6% no próximo ano. Quatro pesquisas antes, essa estimativa era de expansão de 5,10%. Para 2009, a mediana das expectativas para o setor passou de -7,25% para -7,24%. Apesar dessa ligeira melhora, a estimativa atual ainda é pior do que a observada um mês atrás, quando o mercado previa que a produção industrial cairia 6,93%.

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