Mercado eleva previsões para inflação e PIB de 2010

Projeção para IPCA subiu para 4,86% e estimativa para o PIB de 2010 subiu a 5,5% 

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

22 de fevereiro de 2010 | 09h25

O mercado financeiro elevou pela quinta semana consecutiva a mediana de suas projeções para o IPCA em 2010, que passou de 4,80% para 4,86%, de acordo com a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central. Com a nova projeção, o número esperado pelos analistas afasta-se ainda mais do centro da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário nacional (CMN) para este ano, que é de 4,50%. Há quatro semanas, essa previsão já estava acima do centro da meta, em 4,60%.

 

Para 2011, a estimativa não foi alterada e prevaleceu a expectativa de que o IPCA deve ter alta de 4,50%. Esse cenário é repetido há 86 semanas. A projeção suavizada para o IPCA nos próximos 12 meses também não sofreu alteração e segue em 4,49%, patamar inferior ao registrado um mês atrás, quando estava em 4,51%.

 

Entre os analistas que mais acertam as projeções na pesquisa do BC, o chamado Top 5, a mediana das expectativas para o IPCA em 2010 no cenário de médio prazo permaneceu em 4,87%. Quatro pesquisas antes, o número estava em 4,72%.

 

Para 2011, esse grupo de economistas manteve a previsão de alta de 4,50% para o IPCA pela décima semana consecutiva.

 

Previsão para PIB também é elevada; Selic permanece em 11,25%

 

O Focus acrescentou que a projeção do mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano passou de expansão de 5,47% na semana anterior para 5,50%, enquanto para o do ano que vem permaneceu em 4,5%.

 

A previsão de que o juro básico da economia brasileira vai permanecer em 8,75% até o fim do primeiro trimestre de 2010, segundo avaliação do mercado. Para os economistas ouvidos pelo Banco Central, o ciclo de aperto monetário deve começar no encontro de abril do Comitê de Política Monetária (Copom), quando o mercado financeiro prevê alta de 0,50 ponto porcentual na Selic, para 9,25% ao ano.

 

O levantamento mostra que analistas mantiveram a previsão de que o esperado ciclo de aperto monetário deve perdurar por cinco reuniões do colegiado: nos meses de abril, junho, julho, setembro e outubro. Em cada reunião, o juro deve subir 0,50 ponto, cita a pesquisa, que mostra juro de 11,25% no fim de outubro e manutenção desse patamar em dezembro. Dessa forma, foi mantida a estimativa de que a taxa básica de juros deve terminar 2010 em 11,25% ao ano.

 

Para o fim de 2011, o mercado reduziu a previsão para a Selic no fim do próximo ano de 11,25% para 11%, exatamente o mesmo número previsto um mês antes.

 

Analistas mantiveram a estimativa para o juro médio no decorrer de 2010 em 10,06%, ante 9,98% de um mês atrás. Para 2011, a expectativa para a Selic média caiu de 11,25% para 11,16%. Há um mês, a previsão do mercado era de 11%.

 

Projeção para o IGP-DI é elevada

 

A mediana das estimativas para o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) no fim de 2010 foi elevada de 5,51% para 5,58%. Com a alta, o número fica ainda mais distante do observado quatro pesquisas antes, quando estava em 4,55%. Para o IGP-M, a projeção avançou de 5,26% para 5,30%, ante 4,59% de um mês atrás. O índice é usado como indexador das dívidas dos Estados com a União.

 

Para 2011, não houve nenhuma alteração e analistas mantiveram a estimativa de que o IGP-DI deve ter alta de 4,50%, número repetido há 77 semanas, e que o IGP-M deve subir iguais 4,50%, cenário mantido pela 88ª pesquisa seguida.

 

No mesmo levantamento, analistas elevaram mais uma vez a expectativa de aumento do conjunto dos preços administrados - as tarifas públicas - em 2010 de 3,55% para 3,60%. Para 2011, a previsão manteve-se em 4,50%, no mesmo cenário de um mês atrás.

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