Mercado eleva projeção de inflação e Selic para 2008

Estimativa para o IPCA passou de 4,86% para 4,96% em 2008; já o prognóstico para o juros foi elevado para 13,25%

Reuters,

12 de maio de 2008 | 08h58

O mercado revisou para cima o prognóstico para a inflação em 2008 e também elevou a projeção para a taxa básica de juros, a Selic, no mesmo período, segundo relatório Focus divulgado nesta segunda-feira, 12, pelo Banco Central. A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,86% na semana passada para 4,96% em 2008. Já o prognóstico para a Selic no final deste ano foi elevado de 13% para 13,25%. Atualmente, o juro está em 11,75%.   Veja também:   Alimentos mantêm pressão e IPCA sobe para 0,55% em abril Alta de alimentos não se manterá no longo prazo, diz analista Entenda a crise dos alimentos  Entenda os principais índices de inflação    Esta foi a sétima alta das projeções do IPCA, que há quatro semanas estavam em 4,66%. Para 2009, no entanto, a mediana recuou de 4,49% para 4,47%. Um mês antes, a expectativa estava em 4,40%.   Para maio, o mercado como um todo elevou a mediana esperada para o IPCA de 0,35% para 0,40%. Para junho, a expectativa subiu de 0,28% para 0,30%. Há um mês, a mediana para os dois períodos estava, respectivamente, em 0,30% e 0,25%.   O pessimismo com o aperto monetário também atingiu o cenário para 2009, já que a previsão para o patamar dos juros no final do próximo ano subiu de 11,50% para 11,75%. Um mês antes, a expectativa era de Selic de 11,25% no fim de dezembro de 2009. A projeção para o dólar teve leve queda, passando de R$ 1,74 para R$ 1,72 no final de 2008. Já para o fim de 2009, a estimativa da taxa de câmbio foi mantida R$ 1,80. Há um mês, a mediana para o próximo ano estava em R$ 1,85.   A previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano também foi mantida em 4,66%. Quatro semanas antes, o mercado esperava expansão de 4,70%. Para 2009, a mediana foi mantida em 4% pela quinta semana. Com relação à velocidade de crescimento da indústria, a previsão para 2008 caiu de 5,52% para 5,27%.   Quanto ao indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB, a mediana das expectativas para 2008 teve ligeira queda, de 41,50% para 41,47%. Para 2009, o número subiu 40% para 40,04%. Um mês antes, o mercado esperava 41,50% e 39,90%, respectivamente.   Alta dos preços   Os analistas revisaram fortemente os números de inflação para cima. No levantamento, o mercado financeiro mostra que já acredita que a inflação medida pelos IGPs vai superar os 7% em 2008. Segundo o estudo, a mediana das expectativas para o IGP-M, índice que reajusta contratos de aluguel e algumas tarifas públicas, subiu mais de um ponto porcentual em uma semana, de 6,59% para 7,67%. Um mês antes, o número estava em 6,02%.   Trajetória semelhante teve o IGP-DI, que passou de 6,28% para 7,19%. Há quatro semanas, o número estava em 6,02%. Para o IPC da Fipe, a expectativa de alta para 2008 subiu de 4,28% para 4,32%, contra 4,03% registrados quatro semanas antes.   Apesar da forte alta registrada nos índices para esse ano, o cenário para 2009 continuou idêntico ao registrado na semana anterior. Para o mercado, o IGP-M e IGP-DI devem ter elevação de 4,50% no próximo ano, aposta igual à registrada na semana anterior. Há um mês, o mercado esperava iguais 4,50% para o IGP-M e 4,49% para o IGP-DI. Para o IPC da Fipe, analistas mantiveram aposta de aumento de 4% para 2009 pela 30ª semana seguida.   Contas externas   A deterioração das contas externas continua acelerada e o mercado já espera déficit em conta corrente próximo de US$ 20 bilhões em 2008. A pesquisa mostra que a projeção de resultado negativo nas contas externas nesse ano aumentou de US$ 18 bilhões para US$ 19,80 bilhões. Há um mês, a expectativa era de saldo de US$ 16 bilhões. Essa foi a 24ª semana de piora consecutiva - período de seis meses - dos números.   Trajetória idêntica tem o cenário para 2009. Para os analistas do mercado financeiro, o próximo ano deve ter déficit superior a US$ 25 bilhões. Na pesquisa, a mediana passou de US$ 25 bilhões para US$ 25,85 bilhões, contra US$ 20 bilhões de quatro semanas atrás.   Com relação ao ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED), o mercado subiu a expectativa de ingresso de US$ 30 bilhões para US$ 31 bilhões. Para 2009, foi elevada a mediana de US$ 29 bilhões para US$ 30 bilhões. Há quatro semanas, os números eram, respectivamente, de US$ 30 bilhões e US$ 27 bilhões.

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