Mercado eleva projeção sobre inflação, mostra pesquisa

As instituições financeiras ouvidas na pesquisa semanal do Banco Central (BC) elevaram de 6,14% para 6,17% as projeções de IPCA em 2004. O aumento deixou as projeções mais distantes do centro da meta de 5,5% e as aproximou dos 6,2% estimados pelo BC no último Relatório de Inflação. O porcentual calculado pelo BC levava em conta um cenário de mercado com juros de 14% e câmbio a R$ 3,07 no último trimestre do ano.Na pesquisa divulgada hoje, o mercado ainda aposta em juros de 14% ao final do ano e numa taxa de câmbio de R$ 3,05 no mesmo período. Em declarações recentes, dois ministros da área econômica do governo chegaram a dizer que os juros poderiam cair aos 12% ou 13% no final do ano.As previsões de IPCA em 2005, em contrapartida, ficaram estáveis pela quadragésima segunda semana em 5%. Apesar da estabilidade, o porcentual projetado pelo mercado ainda se encontra acima do centro da meta de 4,5% do próximo ano. O número, entretanto, é inferior aos 5,5% de meta defendida pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP). No Relatório de Inflação, o porcentual de IPCA projetado para o próximo ano com base num cenário de mercado era de 5,4%. O cenário trabalhava com a hipótese de juros de 12,6% e câmbio de R$ 3,24 no último trimestre de 2005. Os números da pesquisa divulgada hoje indicam uma previsão de juros de 12,75% e câmbio de R$ 3,20 ao fim do próximo ano.A pesquisa identificou, ao mesmo tempo, uma nova elevação das estimativas de IPCA em 12 meses à frente, a segunda consecutiva. Com o aumento, as projeções passaram de 5,58% para 5,67%, ficando, com isso, 0,42 ponto porcentual acima dos 5,25% da trajetória das metas. Na semana passada, o diferencial entre o valor projetado e a trajetória era de 0,33 ponto porcentual. As previsões de IPCA do próximo ano aumentaram, na mesma pesquisa, de 0,38% para 0,40%, enquanto as estimativas para o corrente mês mantiveram-se estáveis em 0,48%. As projeções de reajuste dos preços administrados para este e o próximo ano ficaram estáveis em 7,20% e 6%, respectivamente. Câmbio: previsões se mantêm inalteradas As perspectivas de elevação dos juros nos Estados Unidos antes do esperado não foram suficiente para o mercado aumentar suas projeções de câmbio para o final do ano contidas na pesquisa semanal do BC. As estimativas continuaram em R$ 3,05, pela sexta semana consecutiva. A taxa de câmbio média projetada pelo mercado, por sua vez, oscilou de R$ 2,96 para R$ 2,95. As previsões de câmbio para o fim de 2005 seguiram a mesma tendência de estabilidade e ficaram nos mesmos R$ 3,20 da pesquisa divulgada na semana passada. As expectativas de câmbio médio, no entanto, recuaram de R$ 3,13 para R$ 3,12. As projeções de câmbio no fim deste e do próximo mês também não se alteram e prosseguiram em R$ 2,90 e R$ 2,93, respectivamente. Juros ao final de maio: previsões se mantêm inalteradasAs instituições financeiras ouvidas em pesquisa semanal do BC mantiveram a aposta de queda de 0,25 ponto porcentual do juros na reunião de maio do Comitê de Política Monetária (Copom). A manutenção ocorreu na mesma semana em que foi divulgada a ata da reunião do Copom deste mês, quando os juros foram cortados em 0,25 ponto porcentual pela segunda vez consecutiva e passaram de 16,25% para 16% ao ano. Caso a previsão de mercado se confirme, a taxa Selic passará de 16% para 15,75%, menor nível de juros nominal desde 21 de março de 2001.As estimativas de juros no final do ano, entretanto, ficaram estáveis em 14% pela quinta semana consecutiva, apontando para a existência de um espaço de redução das taxas até o fim do ano de 2 pontos porcentuais. As previsões de juros médio neste ano subiram, na mesma pesquisa, de 15,15% para 15,24%. As expectativas de juros ao final de 2005, por sua vez, subiram de 12,50% para 12,75%, com a taxa média variando de 13,25% para 13,26% ao ano. Caso seja confirmada a hipótese de juros de 14% ao fim do ano em curso, o espaço para novas quedas em 2005 ficaria limitado a 1,25 ponto porcentual.

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