Mercado elogia e empresários criticam BC

O comunicado que acompanhou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) cria expectativa de novas altas nos próximos meses. A próxima alta deve vir no início de março. A opinião é da economista-chefe da corretora Icap, Inês Filipa.

, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2011 | 00h00

"O comunicado foi bem curtinho, e seu tom confirma um processo de elevação da taxa Selic que veio para ficar", disse ela, reiterando sua previsão de mais duas elevações, de 0,50 ponto, em cada uma das duas próximas reuniões. Ela destacou o trecho do texto que afirma que o BC deu início a "um processo de ajuste da taxa básica de juros".

O presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti, considerou preocupante decisão do Copom. De acordo com Burti, o aumento da Selic pode contribuir com o processo de valorização do real em relação ao dólar. "Fico preocupado com esse aumento dos juros porque temos hoje uma situação econômica um pouco diferente do passado recente", destacou.

"Embora a inflação esteja em alta", afirmou Burti, o Brasil continua sendo um porto seguro para os investimentos estrangeiros, e com essa alta dos juros vamos atrair mais dólares, que podem aumentar a valorização do real, causando mais prejuízos para a nossa indústria e nossa agricultura".

Freio. O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo , Abram Szajman, também criticou a alta do juro. "A medida é negativa e atrapalha o bom ritmo da atividade econômica do País, ao tornar os financiamentos mais caros, freando o consumo, ao mesmo tempo em que uma fatia importante da renda da população passa a ser transferida ao setor financeiro".

Segundo Szajman, para cada ponto de elevação da Selic, os cofres públicos são onerados em cerca de R$ 10 bilhões por ano. "O novo aumento adiciona às despesas públicas cerca de R$ 5 bilhões em pagamento com juros no montante a ser acumulado até o início de 2012".

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, classificou a decisão do Copom como erro e disse que a elevação vai aumentar a despesa do governo com juros e prejudicar a geração de empregos e o crescimento econômico.

Para o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, a alta da Selic foi decisão precipitada e pode atrapalhar o crescimento econômico.

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