Mercado errou feio nas apostas para ano de 2007

Resultados da inflação e PIB foram os maiores tropeços dos analistas

Fernando Nakagawa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

31 de dezembro de 2007 | 00h00

O desempenho da economia em 2007 surpreendeu boa parte dos analistas do mercado financeiro, que tiveram que refazer, ao longo do ano, as previsões para a economia. A inflação foi a principal surpresa negativa, mostra o relatório Focus, produzido semanalmente pelo Banco Central. Com a alta dos alimentos em ritmo mais forte que o previsto, a projeção do mercado para os índices de preço subiu durante parte do ano. A trajetória permanece ascendente no cenário para 2008 e a expectativa é que a inflação se aproxime do centro da meta, de 4,5%. Por outro lado, a boa notícia veio com o crescimento da economia, que surpreendeu analistas e deve ultrapassar 5% em 2007. No último relatório do ano, a trajetória de alta da inflação foi reforçada. Pela terceira semana seguida, o mercado elevou a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2008, que passou de 4,25% para 4,30%. A alta nas últimas semanas consolida o movimento observado desde meados de 2007, quando a elevação de preços, principalmente dos alimentos, começou a alterar o cenário.A subida dos preços fez a projeção do mercado para o IPCA em 2007 aumentar de 4%, no último relatório de 2006, para 4,36%, no último de 2007. A alta foi ainda pior no Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M). Há 12 meses, o mercado acreditava que o indicador fecharia 2007 em 4,29%. Mas na semana passada, a Fundação Getúlio Vargas anunciou que o índice teve alta acumulada de 7,75% no ano, número 3,46 pontos superior à projeção feita há um ano.Mas também houve surpresa positiva. No último relatório Focus de 2006, analistas acreditavam que a economia cresceria 3,50% em 2007. O número permaneceu nesse patamar até abril, quando dados positivos deflagraram ajustes para cima nas projeções durante várias semanas até setembro. O mercado espera que o Produto Interno Bruto (PIB) termine 2007 com alta de 5,19%. Em 12 meses, a projeção subiu 1,69 ponto.Parte dessa surpresa com o ritmo da economia pode ser atribuída ao desaperto da política monetária. Há um ano, o mercado acreditava que o juro seria cortado em 1,5 ponto porcentual durante 2007, passando de 13,25%, taxa observada no final de 2006, para 11,75%. Mas o Banco Central (BC) reduziu a Selic em ritmo mais forte e a taxa termina o ano 0,50 ponto mais baixa que o projetado há 12 meses, em 11,25%. Outro motivo que pode explicar o ritmo mais forte da economia é o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED), dinheiro usado para construção e ampliação de fábricas e compra de empresas por multinacionais.

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