Mercado espera algum sinal de Yellen

Investidor acredita que presidente do Fed pode indicar quando os juros vão subir

O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2014 | 02h03

WASHINGTON - Os presidentes dos mais importantes bancos centrais do mundo começaram a chegar ontem em Jackson Hole, no Estado de Wyoming, para o simpósio anual de economia promovido pelo Fed de Kansas City. O tema da reunião deste ano é o mercado de trabalho, uma questão de particular relevância nos Estados Unidos e na Europa.

Os investidores estão na expectativa dos discursos que farão hoje a presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Janet Yellen, e o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi.

Janet Yellen e Mario Draghi são as "estrelas" dessa reunião exclusiva. Mas também estarão presentes, entre outros, Haruhiko Kurida, presidente do Banco do Japão - uma instituição que, como o Fed, adotou medidas de estímulo monetário sem precedentes -, e Alexandre Tombini, presidente do Banco Central do Brasil, que tem enfrentado episódios recentes de volatilidade financeira e desaquecimento da economia.

O encontro foi precedido de boas notícias nos Estados Unidos no front econômico e as Bolsas fecharam em alta, com o índice S&P 500 em nível recorde; a máxima anterior era de 1.987,98 pontos. A máxima do dia foi de 1.994,76 pontos, acima do recorde intraday anterior, de 1.991,39 pontos, registrado em 24 de julho. O índice Dow Jones fechou acima dos 17 mil pontos pela primeira vez desde 29 de julho, mas não alcançou o recorde de fechamento de 17.138,20 pontos registrado em 16 de julho.

"Esta será a primeira reunião de Yellen em Jackson Hole, e a expectativa é de que seu discurso seja dovish (ameno). Qualquer debilidade do dólar que virmos em reação a isso provavelmente será temporária, e será uma oportunidade para montar posições compradas em dólar", disse Sireen Harajli, do Mizuho Bank.

Os preços do petróleo subiram, em reação aos indicadores divulgados nos EUA. "É o otimismo econômico mostrando seu melhor", disse o analista Carl Larry, da Oil Outlooks & Opinions. Andy Lebow, vice-presidente para derivativos de energia da Jefferies Bache, notou compras fortes no mercado à vista nos últimos dois dias, com as refinarias reduzindo os estoques disponíveis no centro de distribuição de Cushing.

Pauta. Cada edição enfoca um tema e, desta vez, o título da reunião é "Reavaliando a dinâmica do mercado de trabalho". A intervenção de Yellen hoje, é, obviamente, o momento mais esperado, apesar de todos os analistas acreditarem ser pouco provável que ela faça algum grande anúncio sobre a política monetária. No entanto, o mercado ainda se lembra quando o antecessor de Yellen, Ben Bernanke, em 2010 e 2012, usou seu discurso em Jackson Hole para insinuar a intenção de aplicar duas novas rodadas de estímulos monetários, o que levou a ondas de forte turbulência financeira.

Assim, os mercados esperam a antecipação de qualquer indicação da provável data em que as taxas básicas de juros vão subir - desde o fim de 2008, estão entre zero e 0,25%. A grande questão é se o Fed vai iniciar essa caminhada muito cedo - o que poderia prejudicar a recuperação nascente - ou tarde demais, afetando os riscos financeiros e a inflação. "Acho que corremos o risco de fazer o que o Fed faz com muita frequência: ficar parado muito tempo", disse na semana passada, Richard Fisher, presidente do Fed de Dallas, considerado um "falcão". Ele defende um aumento da taxa no início de 2015.

Depois da presidente do Fed, será a vez de Mario Draghi falar sobre a perspectiva do outro lado do Atlântico. A recuperação da zona do euro ainda parece muito tímida e a taxa de desemprego está significativamente superior à americana (6,2% nos EUA em comparação aos 11,5% na zona do euro). Se o Fed está considerando a retirada dos estímulos, o BCE está totalmente no caminho inverso. / Agências Internacionais

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.