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Mercado espera alta da Selic em cenário negativo

O efeito negativo do pacote argentino parece ter se esgotado. Depois de muito pessimismo desde o anúncio das medidas de estímulo da economia, no final de semana, os mercados tiveram um dia de ajustes, com pequena recuperação das cotações. A tensão ainda é grande, mas por ora as preocupações dos investidores parecem já estar embutidas nos preços.O principal fato do dia é a conclusão da reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom) logo mais. O mercado espera que seja anunciada uma elevação da Selic, a taxa básica referencial de juros da economia, atualmente em 16,75% ao ano. A maioria dos analistas ouvidos aposta em alta de meio ponto porcentual, para 17,25% ao ano. Nos atuais níveis de juros, é improvável que o governo atinja o nível máximo da meta de inflação para o final do ano, que é de 6% pelo Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA).Uma elevação da Selic custa caro ao governo, que precisa separar mais recursos do orçamento para honrar suas obrigações. Juros mais caros também encarecem o crédito para consumidores e empresas, reduzindo o crescimento econômico. A moeda norte-americana nos níveis atuais pressiona o preço de produtos importados, como os combustíveis, e também de produtos nacionais exportáveis, que seguem os preços internacionais.De qualquer forma, analistas avaliam que uma pequena elevação já teria o efeito desejado sobre a inflação, mas os juros teriam de subir muito para controlar a alta do dólar e o compromisso do governo é com a inflação, não com a taxa de câmbio. Mesmo porque é difícil avaliar qual o componente especulativo dos negócios com o dólar, que atingiu patamares surpreendentes. O cenário é bastante negativo. A crise energética é uma incógnita, mas já se sabe que a produção cairá, assim como as exportações e os investimentos diretos estrangeiros. Ainda é cedo para avaliar a dimensão da crise, que depende em grande parte de um fator imponderável: chuvas. Mais difícil ainda é prever as suas conseqüências. A instabilidade argentina é muito grande, e não está descartado um colapso econômico, o que traria graves conseqüências para o Brasil. A desaceleração da economia norte-americana persiste, atingindo também Europa e Japão. Ou seja, especialmente no longo prazo, há muitas incertezas.Fechamento dos mercadosOs contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 22,500% ao ano, frente a 22,950% ao ano ontem. O dólar comercial para venda fechou em R$ 2,4690, com queda de 0,40%. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 1,19%. O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em alta de 0,35%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,48%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em alta de 1,94%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

20 de junho de 2001 | 17h59

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