Mercado espera Copom com turbulências

O cenário de turbulências no Brasil e no exterior parece estar longe de acabar, e não se espera que o Comitê de Política Monetária (Copom), na reunião mensal que se encerra hoje às 14h, decida cortar a Selic, a taxa básica referencial de juros da economia, atualmente em 18,5% ao ano.Segundo apuração do repórter Francisco Carlos de Assis, 21 de um total de 28 instituições financeiras ouvidas pela Agência Estado prevêem a manutenção da taxa. O mercado concorda que tecnicamente há espaço para uma redução na Selic, especialmente depois que a meta de inflação para 2003 foi elevada, mesmo porque a economia está desaquecida e não será por esse corte que os preços sofrerão pressão adicional. Porém, a instabilidade, sobretudo no câmbio, deve levar a uma posição mais prudente.Muitos analistas comentam que um corte agora seria contraditório com a austeridade tradicional do Copom, e levantaria suspeitas de intervenção política. Mas outros argumentam que este seria a oportunidade para mostrar que a principal preocupação do Comitê é mesmo a inflação, além do que esse poderia ser o momento certo para reverter o pessimismo dos mercados, com uma sinalização de queda nos juros.As pressões são basicamente conjunturais. Em primeiro lugar, o mau desempenho do candidato governista, José Serra, o preferido dos mercados, traz preocupações. Os investidores temem que uma vitória da oposição possa trazer rupturas indesejáveis, mas a última pesquisa do Ibope mostra Serra em terceira posição, abaixo de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, que tem liderança folgada, e Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, que se consolidou em segundo lugar e vem ganhando adesões importantes, especialmente do PFL. Portanto, esse fator de instabilidade dos mercados só tem se agravado.E no exterior, a crise de confiança no mercado acionário norte-americano também só piora. Depois de amargar fortes quedas nos últimos dois anos, o investidor teve de conviver com fraudes contábeis, que chegam ao vice-presidente Dick Cheney - sob investigação - e ao próprio presidente George W. Bush, suspeito de beneficiar-se de informação privilegiada para lucrar com a venda de ações da empresa da qual era sócio e diretor, nos anos 90. A crise vem causando estragos nos mercados do mundo inteiro, inclusive no Brasil, e as principais bolsas mundiais já operam em níveis mais baixos do que os registrados nos momentos mais pessimistas depois dos atentados terroristas do ano passado. Só o Dow Jones - índice que mede a valorização das principais ações da bolsa de Nova York - ontem registrou a sétima queda consecutiva, acumulando desvalorização nesse período de 9,60%.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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