Mercado espera desfecho do impasse argentino

Hoje foi um dia agitado para os mercados financeiros. Pela manhã, ainda repercutiam mal o impasse nas negociações do governo argentino com as províncias e a viagem surpresa de Cavallo aos Estados Unidos, sem objetivo claro ou resultados palpáveis. O governo realizou leilão de títulos cambiais para conter a instabilidade dos mercados e marcou outro para amanhã. À tarde, porém, o humor virou e os investidores passaram a apostar na definição imediata do pacote econômico, esperado desde o dia 14.A viagem do ministro da Economia, Domingo Cavallo, continua cercada de mistérios, tendo surgido várias versões desencontradas dessa missão aos Estados Unidos. Aparentemente, não houve resultados concretos, ao menos nada foi divulgado. Ele chegou a Buenos Aires pela manhã, e o presidente Fernando de la Rúa divulgou que se reunirá hoje com o ministro para finalizar os detalhes do pacote. Espera-se o anúncio até amanhã. A maior pendência é o acordo com as províncias para a redução dos repasses da União. Os governadores e ministros de Estado estão em reunião neste momento para definir os termos finais, mas ainda há muitas discordâncias. Também não está claro como será feita a reestruturação da dívida, tanto do governo federal como das províncias, já que as instituições financeiras envolvidas parecem pouco receptivas a uma redução nos juros e dilatação dos prazos como quer a equipe econômica. Mesmo porque as agências internacionais de classificação de risco ameaçam considerar a operação "calote" se houver perdas para os credores.O presidente do Fed (Banco Central norte-americano), Alan Greenspan, fez um alerta a países emergentes de câmbio fixo e com fortes desequilíbrios nas contas externas. Essa seria uma indicação à Argentina, e em menor escala, ao Brasil, de que o governo dos EUA é pouco receptivo a novos empréstimos sem que sejam criadas condições estruturais para uma solução dos atuais problemas. Quanto ao Brasil, hoje foram anunciados resultados animadores sobre as contas externas. O déficit em conta corrente do mês passado foi o menor desde janeiro de 1997, e a tendência continua sendo de queda. As causas são a desaceleração econômica e a desvalorização comercial, que favorecem uma melhora no saldo da balança comercial e uma queda nas viagens e despesas no exterior. Mas ainda é insuficiente para as grandes necessidades de financiamento externo do País, que ainda vem contando com fortes entradas de capitais para investimento direto, mesmo com a atual crise internacional.No caso da Argentina, são poucos os que acreditam que o país esteja nesse caminho. Embora tenha crescido o otimismo em relação a uma solução para o curto prazo, ninguém no mercado acredita que as medidas tomadas no último ano estejam criando a base para uma recuperação. A avaliação é que novamente, o governo estaria empurrando a crise com a barriga, mas poucos duvidam que ela emergirá novamente num futuro próximo.Fechamento dos mercadosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,7150, com queda de 1,67%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 22,770% ao ano, frente a 22,468% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 2,23%.O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em queda de 0,33%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 1,26%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em alta de 2,54%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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