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Mercado espera pacote desgastado pela demora

Os mercados esperam desde o dia 14 o pacote de ajuste econômico que daria mais uma sobrevida à combalida economia argentina. Mas o relativo otimismo dos mercados passou, e mais uma vez o governo argentino não soube aproveitá-lo e os mercados podem reagir mal hoje aos últimos acontecimentos. A pior manobra foi a viagem secreta aos Estados Unidos do ministro da Economia argentino, Domingo Cavallo, que, não se sabe a que foi, mas voltou de mãos vazias. Talvez as declarações de ontem de Alan Greenspan, presidente do Fed - banco central norte-americano -, e do mega-investidor George Soros apontem para o rumo dos acontecimentos no país.Greenspan, sem se referir diretamente à Argentina, condenou países emergentes com desequilíbrios nas contas externas e sistema de câmbio fixo, além de outras complicações econômicas. Segundo ele, essa situação decorre de uma fraqueza política interna, sugerindo, nas entrelinhas, que cabe a eles próprios a solução de seus problemas. Para Cavallo, pode significar que não haverá mais dinheiro nem do governo norte-americano, nem de organismos multilaterais. Soros reforçou a idéia afirmando que a reestruturação - leia-se calote - da dívida argentina é inevitável.O bom humor dos mercados após as eleições deveu-se mais a uma expectativa de que a Argentina conseguisse novamente empurrar para a frente suas dificuldades, mas nunca que o governo conseguisse promover uma reforma estrutural, criando as condições para a saída da crise, que já dura mais de três anos. E a cada adiamento, os problemas se agravam, com maior defasagem cambial e dívida crescente. Com a demora, podem começar a surgir dúvidas até sobre os remendos do pacote econômico.O presidente Fernando De la Rúa havia declarado que detalharia os últimos pontos com Cavallo ontem, para anúncio imediato. Mas, não se sabe o que se poderá divulgar, além de alguns cortes de salários e modestos incentivos fiscais ao consumo, já que novamente não se chegou a um acordo nas negociações com os governadores de províncias sobre reduções nos repasses da União. Igualmente, não há sinais de aceitação da renegociação da dívida do governo central e das províncias com bancos credores.O Banco Central (BC) no Brasil interveio ontem no mercado, vendendo títulos cambiais, e conseguiu conter o pessimismo. Para hoje, já foi anunciado novo leilão de grandes lotes. As sextas-feiras costumam ser um pouco mais tensas que os outros dias por causa da possibilidade de surpresas nos noticiários enquanto os mercados estão fechados no final de semana. É possível que a expectativa do pacote, que até há poucos dias era sinônimo de tranqüilidade, traga nervosismo aos investidores.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

26 de outubro de 2001 | 08h04

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