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Mercado espera PIB de 0,30% em 2014 e inflação de 6,30%

Esta é a 17ª semana consecutiva em que o mercado revisa a projeção de crescimento para baixo no Relatório Focus

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2014 | 08h30

BRASÍLIA - A mediana das expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2014 deu mais um passo em direção à estabilidade no Relatório de Mercado Focus, divulgado pelo Banco Central. Pelo documento, a economia brasileira crescerá apenas 0,30% este ano ante projeção anterior de avanço de 0,33% e de expansão de 0,70% esperada um mês atrás. Esta é a 17ª semana consecutiva em que o mercado revisa suas planilhas para baixo.

Os economistas continuam a acreditar em alguma retomada da atividade no ano que vem, mas cada vez com menos força, já que a taxa mediana da Focus para o período recuou de 1,04% para 1,01%. Quatro semanas antes, a estimativa de crescimento para o próximo ano estava em 1,20%.

Conforme a pesquisa, o setor manufatureiro terá retração de 1,94% este ano ante previsão de queda de 1,98% esperada na semana passada. Vale lembrar que um mês antes, a expectativa era de uma diminuição da atividade de 1,76%. Para 2015, a previsão também é de recuperação do setor, que deve ter expansão de 1,60% - estava em 1,50% no documento anterior. Há um mês, a mediana estava em 1,70%. 

Os analistas também mantiveram suas estimativas para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2014. A Focus de hoje aponta a mesma mediana da semana passada: 35,00% - um mês atrás estava em 34,99%. Para 2015, a mediana subiu de 35,30% para 35,40%. Quatro semanas antes, estava em 35,00%. 

Inflação. Com a divulgação na sexta-feira passada de que o IPCA-15 ficou acima das expectativas (0,39%), o Focus revelou que as projeções para o IPCA foram ajustadas para cima. Para o curto prazo, foram vistos os maiores correções na pesquisa, com a mediana das estimativas para o IPCA de setembro passando de 0,40% - mesma taxa de um mês atrás - para 0,42%. No caso de outubro, o ponto central da pesquisa ficou e deslocou de 0,49%, também mesma taxa de quatro semanas antes - para 0,50% ante de um mês atrás. 

Para o final deste ano, a mediana das estimativas passou de 6,29% para 6,30% ante variação de 6,27% de um mês atrás. No caso de 2015, no entanto, a taxa caiu de 6,29% para 6,28%, exatamente o mesmo porcentual de quatro semanas antes.

Juro. Com a perspectiva cada vez mais fraca para a expansão da atividade doméstica neste e no próximo ano, o mercado financeiro jogou ainda mais para frente a projeção para a alta da Selic em 2015. Até a semana passada, a mediana das previsões do relatório de mercado Focus apontava para uma alta de 0,25 ponto porcentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de julho, levando a taxa básica para 11,25% ao ano. Agora, a previsão é de que a alta dessa magnitude só ocorrerá daqui a um ano, em setembro do ano que vem. Até lá, a Selic deve permanecer nos atuais 11% ao ano.

Em novembro do ano que vem, última vez que o Copom se reunirá em 2015, a taxa ainda estará em 11,25% ao ano, conforme a pesquisa Focus divulgada esta manhã pelo Banco Central. No levantamento da semana passada, a mediana das estimativas apontava que, nessa ocasião, o juro estaria em 11,50% ao ano. 

A série das projeções do boletim Focus mostra as previsões do mercado apenas para os primeiros três meses de 2016. Pelos dados atualizados hoje, a Selic estará em 11,00% ao ano, no primeiro trimestre de 2016, revelando, assim, que os analistas aguardam uma redução da taxa básica de juros em janeiro daquele ano. 

Dólar. Desta vez, o Focus revelou uma expectativa de cotação para o dólar maior para o final deste ano, assim como movimento de alta identificado nas mesas de operação do mercado financeiro na semana passada. Até então, apesar dos negócios apontarem para uma elevação, o boletim Focus apresentava um recuo. A mediana para dezembro de 2014 está em R$ 2,34. No levantamento anterior, a mediana era de R$ 2,30 e, há um mês, de R$ 2,35.

Já para 2015, a cotação esperada ficou estacionada na casa de R$ 2,45 como na semana anterior  um mês antes estava em R$ 2,50. Com essa alteração, a projeção mediana para o câmbio médio deste ano passou de R$ 2,28 para R$ 2,29. Já para o ano que vem, a mediana do dólar médio permaneceu em R$ 2,41, como estava no levantamento anterior  R$ 2,44 um mês atrás.

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