Mercado espera Selic estável apesar de IGP-M

O resultado da segunda prévia do (Índice Geral de Preços do Mercado) IGP-M de outubro (2,81%), divulgado ontem, após o encerramento dos negócios no mercado financeiro preocupou. E chegou a balançar o consenso no mercado de juros de que a Selic, a taxa referencial de juros da economia, não subiria na reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom) amanhã. A Selic já foi elevada de 18% para 21% em reunião extraordinária há uma semana. Apesar da menor certeza, as apostas são de manutenção da Selic. O IGP-M, no mínimo, abriu um espaço maior para dúvidas, pois ficou em um nível muito elevado e o ajuste da semana passada pode ter sido insuficiente para conter a inflação. Uma pequena corrente do mercado acredita que o Copom poderá elevar a Selic entre 0,5 ponto e 1,5 ponto porcentual. Juros mais elevados encarecem o crédito e contém as compras, dificultando a remarcação de preços.O IGP-M de 2,81% foi o mais alto desde o Plano Real, segundo a Fundação Getúlio Vargas. Apesar deste IGP-M considerado elevadíssimo, com o agravante de ser este índice o que corrige tarifas públicas (portanto, com forte impacto na inflação), várias fontes de mercado destacam três motivos principais para o Copom não elevar a Selic amanhã: Primeiro, o fato de que o último reajuste da Selic foi feito somente há uma semana, em reunião extraordinária, numa decisão do Copom que deu seqüência a um arsenal de medidas do Banco Central (BC) para conter a alta do câmbio.Segundo, o câmbio não passou dos limites do dia 10, véspera do lançamento de medidas cambiais do BC, quando o dólar fechou o dia a R$ 3,99, o que levou também o Copom a elevar a Selic no dia 14 (pelo contrário, o câmbio recuou).Terceiro, há uma expectativa maior de recuo do câmbio após o vencimento cambial de amanhã e também após o segundo turno das eleições, que acontece daqui a apenas seis dias. Ou seja, se o mercado - que já absorveu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva - se animar com os primeiros anúncios do provável governo do PT, o câmbio teria mais espaço para recuar e não seria necessária nova alta dos juros.O vencimento de cerca de US$ 1 bilhão em contratos cambiais amanhã, que serão corrigidos pelas cotações de hoje, e o terceiro leilão que tentava rolar parte dessa dívida regeram o mercado de câmbio. Pela terceira vez desde ontem, o BC recusou todas as propostas do mercado e não rolou a dívida. A conseqüência foi mais uma alta das cotações que, no entanto, foi temperada por uma forte presença de exportadores no mercado, segundo operadores. MercadosÀs 15h, o dólar comercial era vendido a R$ 3,9200, em alta de 0,13% em relação às últimas operações de ontem, oscilando entre R$ 3,9200 e R$ 3,9800. Com esse resultado, o dólar acumula uma alta de 69,26% no ano e 15,12% nos últimos 30 dias. Veja aqui a cotação do dólar dos últimos negócios.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagavam taxas de 23,950% ao ano, frente a 23,830% ao ano ontem. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 26,700% ao ano, frente a 26,550% ao ano negociados ontem.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operava em alta de 1,10% em 9228 pontos e volume de negócios de R$ 397 milhões. Com esse resultado, a Bolsa acumula uma baixa de 32,06% em 2002 e 3,77% nos últimos 30 dias. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, 12 apresentam baixas. O principal destaque são os papéis do Banespa PN (preferenciais, sem direito a voto), com desvalorização de 11,12%. Mercados internacionais Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - operava em queda de 1,78% (a 8386,3 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - cai 1,94% (a 1284,24 pontos). O euro era negociado a US$ 0,9790; uma alta de 0,49%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, estava em baixa de 0,15% (444,40 pontos). Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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