Mercado europeu fica à espera de decisões

Reunião do BCE que termina amanhã pode anunciar medidas de política monetária

FERNANDO NAKAGAWA, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2014 | 02h02

LONDRES - Os rumores sobre a divisão mais acentuada no comando do Banco Central Europeu (BCE) aumentam a expectativa do mercado financeiro sobre o esperado e prometido programa de relaxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês) na Europa.

Analistas acompanham com cautela o tema. Por enquanto, porém, prevalece a aposta de que a instituição liderada por Mario Draghi deve manter a política inalterada na reunião que anuncia amanhã nova decisão monetária.

Desde ontem, circulam informações não confirmadas de que alguns dirigentes de bancos centrais da Europa estão insatisfeitos com a gestão de Mario Draghi. O principal tema de crítica é a suposta falta de transparência de Draghi em relação aos integrantes do conselho do BCE e a maneira que o dirigente se comunica com o público.

Os banqueiros centrais estariam particularmente insatisfeitos porque Draghi fixou uma meta para incrementar o balanço do BCE imediatamente depois de o conselho do banco concordar em não tornar nenhuma cifra pública.

O debate ocorre a poucas horas da próxima decisão de política monetária do BCE. Analistas europeus são unânimes em afirmar que não devem ser anunciadas medidas no encontro que termina amanhã.

O analista da corretora IG Markets, Stan Shamu, por exemplo, diz que a possibilidade de mudanças é "perto de zero". O banco Barclays concorda. "O BCE provavelmente não vai anunciar uma nova medida de relaxamento da política esta semana, mas pode dar mais sinais sobre o novo programa de compra de ativos", dizem os analistas da casa.

O fato é que o mercado ainda não tem muita clareza do efeito dessa suposta divisão do comando do BCE sobre a política monetária. Ontem, analistas ressaltavam que essa divisão poderia limitar o espaço para Draghi adotar medidas mais ousadas, como a compra de bônus soberanos e o início do programa mais amplo de relaxamento quantitativo.

Analistas do Deutsche Bank notam que o euro se fortaleceu "estranhamente ontem com a suposição de que um comando dividido no BCE faria com que fosse menos provável uma ação em direção ao QE".

O analista da corretora IG Markets, Stan Shamu, concorda que a divisão poderia tornar as coisas mais difíceis para Draghi. Ao mesmo tempo, porém, destaca que a pressão sobre o BCE cresce dia após dia. Nas últimas horas, a piora das projeções econômicas da Comissão Europeia e novos sinais de acomodação da atividade "podem significar que o BCE provavelmente terá de ser mais agressivo para retomar o crescimento". Ou seja, ainda que o debate político possa jogar contra Draghi, a macroeconomia reforça as escolhas do presidente do BCE.

Os economistas do banco holandês Rabobank pensam exatamente o contrário sobre a divisão do BCE. Para a casa, eventual falta de apoio ao presidente Draghi pode acelerar a tomada de medidas. "Em primeiro lugar, a oposição sempre esteve lá. Sendo exposta, será mais fácil forçar uma decisão. Em segundo lugar, se a incerteza sobre os objetivos do BCE levar a uma nova queda no euro e nas expectativas de inflação, os fundamentos econômicos poderiam forçar a mão do BCE", dizem os analistas do banco.

Mercado. As principais bolsas europeias se recuperaram das perdas de terça-feira e fecharam ontem em alta na expectativa pela decisão do BCE. Sinais de que a atividade econômica está em um ritmo mais lento do que o esperado na zona do euro podem levar o banco a anunciar novas medidas para impulsionar a economia. A vitória dos republicanos nas eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos também contribuiu para os ganhos nos mercados europeus.

O índice Stoxx 600 encerrou a sessão com alta de 1,65%; o DAX, da Bolsa de Frankfurt, subiu 1,63%; em Londres, o FTSE-100 teve alta de 1,32%; em Paris, o índice CAC-40 ganhou 1,89%. / COLABOROU LUCAS HIRATA

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