Mercado exagera no pessimismo, diz economista-chefe do BTG Pactual

Na avaliação de Eduardo Loyo, mercado também foi muito otimista ao considerar o Brasil imune à crise econômica

Fernanda Nunes e Vinícius Neder, da Agência Estado,

10 de dezembro de 2012 | 12h52

RIO - O mercado é pessimista ao avaliar a atividade econômica brasileira na mesma proporção em que foi otimista ao apontar o Brasil como um exemplo de sucesso em meio à crise econômica, há cerca de dois anos. A opinião é do economista-chefe do banco BTG Pactual, Eduardo Loyo. "Expectativas exageradas sobre o ritmo da economia brasileira acabaram refluindo para avaliações exageradamente pessimistas", alertou Loyo, que participa de seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Para o economista, em meio ao desapontamento com o ritmo da atividade econômica brasileira, o mercado constatou que o problema é muito mais grave do que uma questão de demanda. A resposta de analistas e investidores ao cenário atual foi concluir que gargalos estruturais, muito mais difíceis de serem resolvidos, impedem a retomada da economia, o que torna a previsão sobre o momento da recuperação muito mais difícil. Em sua opinião, entretanto, "o diagnóstico é exagerado, não porque não haja gargalos, que existem, são sérios, mas não são novidade".

Embora discorde das avaliações da maioria dos economistas sobre as soluções à crise, Loyo também é crítico à política econômica do governo. O ataque é direcionado, principalmente, à taxa de juros que, segundo ele, foi encarada como um elemento macroeconômico erroneamente capaz de solucionar todos os entraves ao crescimento. "A taxa de juros talvez tenha tido o papel de fetiche, como se fosse o único problema que tínhamos. Não é assim. Mas não acho que a gente deva ir para o extremo oposto", ressaltou.

Com projeção de avanço do Produto Interno Bruto (PIB) de 2013 de 3,3%, o economista-chefe do BTG Pactual aponta duas saídas para a economia brasileira, uma de curto prazo, de retomada cíclica, e outra de sustentabilidade no longo prazo.

Para ambos os cenários, a saída passa, em sua opinião, pelo investimento e pela persistência do ciclo de crédito para pessoa física. "Retomada cíclica e sustentabilidade no longo não são a mesma questão, mas têm coincidências. Um elemento comum é o comportamento do investimento, que teve uma contribuição importante para a desaceleração e tem sido desapontador em seu papel na retomada", destacou.

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